Certa vez me encontrei com um executivo sênior de Engenharia num evento do setor automotivo. Eu nutria grande admiração pelo seu perfil técnico, seu comportamento exemplar junto aos fornecedores, mas o que mais admirava era sua longevidade na carreira e o fato de que estava àquela época enfrentando desafios num novo empregador. A idade não parecia ser um obstáculo para que ele continuasse produtivo no mundo empresarial.
Perguntei a ele: Como está sendo sua experiência por lá? Qual é sua contribuição nesse momento de carreira?
Ele modestamente me respondeu: você sabe que tenho boa experiência e conhecimento técnico, mas o que de fato faço por lá é “inspirar as pessoas”. Merece aplauso, não é?
É fato notório que boa parte dos líderes “formais” nas empresas não consegue sucesso por todo o tempo e às vezes até deixa o empreendimento sem completar adequadamente seu ciclo. Seja por demasiada ambição pessoal; por visar resultados no curto prazo de olho no bônus; ou ainda por falhar como gestor do negócio e das pessoas, a realidade é que para um líder ser bem sucedido no médio/longo prazo é vital saber inspirar seus comandados obtendo deles lealdade e respeito. Em outras palavras ter absoluto domínio do time de pessoas!!
A tarefa é árdua e exige mua, ito esforço, disciplina e cabeça aberta para ouvir as pessoas, entende-las na sua individualidade e ainda cuidar da coesão do time e do respeito mútuo.
Em minha opinião não há receita certa, e nem é possível aprender nos bancos da Universidade, como ser esse comandante de time inspirador no qual as pessoas se espelham para desempenhar em sua plenitude. Na verdade todos nós sabemos que o sucesso do negócio, e principalmente do líder, tem relação direta com o engajamento dos liderados permitindo desempenho superior.
Eu tive oportunidade ao longo de minha carreira de atuar com diferentes estilos de liderança, em diferentes ambientes e indústrias e posso assegurar que nunca me encontrei com líderes de mesmo perfil. Tive facilidade de desempenhar melhor com uns do que com outros. E assim é!
De todo modo seguem alguns pontos que acredito devam ser considerados e podem servir de reflexão para aqueles líderes interessados em “tirar o máximo de seu time de pessoas”:
- Ouvir à exaustão;
- Oferecer liberdade de opinião e ideias;
- Questionar, respeitosamente, diferentes pontos de vista;
- Entender a individualidade;
- Tratar cada um respeitando essa individualidade;
- Dedicar boa parte de seu tempo para “desenvolver” as pessoas;
- Assumir a responsabilidade pelo resultado alcançado pelo time – principalmente quando as coisas não dão certo;
- Exigir disciplina na execução e apoio às metas, planos e decisões tomadas em conjunto;
- Divulgar e assegurar que os “valores” da empresa sejam reconhecidos e aceitos pelas pessoas;
- Delegar e permitir o erro;
- Dar “feedback” de desempenho e também de comportamento;
- Ajudar o (a) funcionário (a) no desenvolvimento pessoal e profissional.
A maioria dos livros que exploram o tema da liderança também oferece ideias válidas para a reflexão daqueles que assumem o papel de líder de um time. É possível buscar “dicas” muito interessantes neles, mas no fim do dia é importante a construção de um modo de ser que se adeque não só às pessoas como também aos valores da companhia e ao estilo dos gestores. E mais importante que o líder assuma o papel de “inspirador” de suas pessoas.
Inspire suas pessoas e o desempenho superior do time será uma consequência!