As oportunidades na crise – Logística

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Uma área em que a gestão empresarial no Brasil oferece oportunidade para desempenhar melhor é a de Logística. Já abordei o tema em textos anteriores como: “Os nós da Logística” e no mais recente “A infraestrutura brasileira apoiando a excelência na Logística”.

Volto ao assunto, num momento em que a crise econômica no Brasil demonstra ser bem mais aguda do que a imaginada pelo mais pessimista dos estudiosos da Economia. O PIB brasileiro deve ser negativo ao redor de 2% nesse ano e, para o ano de 2016 a recuperação, se acontecer, será modesta. É o que mais ouvimos falar por aí e também observamos na vida real.

O lado bom da crise é que ela nos tira da zona de conforto exigindo trabalho redobrado dos gestores para mitigar os impactos negativos de uma demanda mais fraca nos resultados financeiros da firma. É momento então de reavaliarmos o modo como fazemos negócios e, aprimorarmos as práticas em logística. Isso é vital na indústria devido a toda complexidade da cadeia de fornecedores; demanda incerta dos mercados; exigências do Cliente para atendimento imediato e balanceamento das linhas de produção. Porém também no comércio onde a gestão dos estoques é tarefa chave o executivo principal e/ou dono do negócio necessita utilizar mais energia e foco no setor.

Provoco a primeira discussão perguntando como medimos as atividades de logística e, se as medimos, o que fazemos com as informações? Há exatos vinte anos quando assumi a função de executivo principal de uma empresa Multinacional de origem Norte Americana, eu passei por uma imersão na sede da companhia e nas conversas com o meu líder fui alertado para orientar minha atuação com: fatos; dados e análises. Dizia ele que só seria possível fazer uma boa gestão tendo perfeita leitura dos acontecimentos e a partir daí definindo ações para solução de problemas e melhoria do desempenho. Se você não mede seguramente faltarão elementos para o processo decisório e adoção de práticas que possam melhorar o resultado. E….de fato no chão de fábrica e também na logística podemos buscar muitos dados, mas lógico é preciso método!

Mas afinal o que é interessante medir?

Quando se faz a gestão da Logística ao menos quatro pontos merecem cuidado redobrado: 1) o atendimento ao Cliente; 2) os níveis de estoque disponível para o mercado; 3) o custo de distribuir e 4) o efetivo equilíbrio na programação da fábrica e da cadeia de fornecedores.

  1. Atendimento ao Cliente – É preciso medir se as entregas estão dentro da expectativa e pacto com o Cliente. Além disso, outra informação preciosa é o “lead time” de atendimento, ou seja, o tempo que leva em horas, ou dias; ou semanas desde a colocação do pedido ou ordem de compra do Cliente até a chegada efetiva do material às suas instalações;
  2. Níveis de Estoque – Quanto temos investido nos estoques seja na forma de matéria prima; produtos semielaborados ou acabados. Em dias ou meses e em valor monetário. Qual é o giro do estoque no tempo?
  3. Custo de Distribuir – Levando em conta o modal de transporte adotado quanto é gasto em fretes e armazenagem intermediários?;
  4. Programação de Produção e Compra – Quanto tempo é perdido na produtividade do chão de fábrica por desbalanceamento das linhas de produção ou ausência de um fluxo homogêneo por falta de material ou programação?

Além da medição convém calibrar os números, se possível, com o perfil do segmento da indústria à qual a empresa pertence.

Com todos esses dados o gestor terá condições de, junto com o time de pessoas, avaliar oportunidades para atender o Cliente acima da expectativa; com baixo nível de estoques sem incorrer em demasiados gastos com fretes e ainda mantendo o fluxo de produção estável. Não é tarefa fácil, não é verdade?

À medida que conhecemos com dados e fatos o que se passa na Logística, através da aferição das transações é possível o estabelecimento de ações para melhorar os resultados sem deixar de acompanhar o atingimento das metas. Aqui cabe o conceito PDCA – Plan – planejar; D –Do – executar; C – Check – verificar; A – Action – Agir. A adoção dessa ferramenta ajuda a manter o foco no aprimoramento das práticas da área de Logística o que contribuirá positivamente no resultado financeiro do negócio.

Em tempos de crise os gestores têm grande oportunidade para melhorar o desempenho na logística. É um terreno fértil!

Mãos à obra e bons negócios!

 

 

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