Um dos grandes desafios colocados à frente do líder de uma área ou negócio é o de imprimir uma cultura de senso de urgência junto ao time de liderados. E como todos nós sabemos o sucesso do trabalho de um líder tem relação direta com o desempenho das pessoas para colocar em prática os planos, tanto de curto como de longo prazo.
O ambiente de negócios nas últimas décadas como já destaquei em vários textos desse blog, se caracteriza por: a) globalização eliminando barreiras de geografia e até de língua e fuso horário; b) inovação nos processos de trabalho, produto, modelos de organização; c) intensa concorrência; d) novas gerações de pessoas no mercado de trabalho e e) mudanças frequentes e rápidas. Tudo isso justifica a necessidade em criar uma cultura organizacional na qual as pessoas não só têm disciplina como entendem e reagem positivamente às adaptações no curso das coisas e têm foco na excelência da execução. E mais…é preciso que tudo seja feito com método robusto, mas também com rapidez.
Não dá para deixar para depois! Sim, quase tudo é para ontem! De outra forma os riscos de fracasso do empreendimento aumentam significativamente. Por outro lado cabe à liderança construir e manter o time sempre motivado a executar com rapidez as decisões e planos uma vez que estão foram discutidos e formalizados. Não é permitido ao líder ou à líder delegar essa responsabilidade.
A primeira recomendação então é: assegure que seu time de pessoas percebe em seu discurso e, principalmente nos seus atos como líder que é preciso fazer as coisas acontecerem velozmente e, fazer bem feito. E essas duas coisas não são excludentes.
Um dos pontos que faz diferença na implantação das ações rápidas, além do comportamento do (a) líder, é “vender” para o time os planos do negócio de modo convincente com dados, fatos e compartilhamento de ideias, onde for possível. A adesão de todos é meio caminho andado em direção ao sucesso da execução e no prazo, às vezes espremido, pré-determinados.
Parece ser tarefa fácil para o líder conseguir o time “comprar” a ideia de fazer as coisas rapidamente e com qualidade. Certo? Houve um tempo que havia um lema assim: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, mas isso já ficou absolutamente fora de moda.
Líder não pense que a sua função formal é suficiente para fazer o time trabalhar com êxito! Não!! As pessoas necessitam não só validar as ideias e ações como também terem cabeças abertas às mudanças e ainda capacidade técnica e comportamental adequados. É um todo!
Outro desafio que muitas lideranças enfrentam na construção e preservação da cultura do senso de urgência reside na resistência de alguns que podem bloquear a fluida execução da ação, ou das ações. Não estou falando aqui de gente que é cética, pois essa pode ser tratada individualmente com dados, algo mais concreto e pode aderir ao que tem de ser feito. Estou me referindo àquelas pessoas que são contra porque são contra. Alguns estudiosos chamam-nas de “NoNos”!
Como lidar com membros do time de pessoas as quais através de atitudes transparentes e pior, às vezes escondidas, contaminam outras a desacreditarem da importância e urgência das ações? Como identifica-las?
Segundo estudos as pessoas “NoNos” normalmente têm esse tipo de comportamento porque: a) conseguem listar até dez razões pelas quais a situação atual dos negócios está ok, logo nada deve ser mudado e também não tem urgência; b) creem fortemente que os problemas e/ou desafios não existem e sim foram “inventados” pelo (a) liderança; c) entendem que a liderança está superestimando os problemas e d) exigem mais dados antes de colocar em execução os planos/ações. E pior podem criar uma “guerra civil” dentro da organização.
O que fazer com uma pessoa de seu time que age dessa forma? Como transformar um “NoNo” em alguém de fato engajado e suficientemente motivado para trabalhar com o time na execução bem sucedida dos planos e ações e, com a necessária urgência?
As recomendações vão desde a conversa individual, fazendo o indivíduo ver que aquele comportamento é inadequado e não contribui para aquilo que verdadeiramente precisa ser feito diante dos desafios enfrentados pela empresa e conseguindo sua adesão irrestrita à missão, e até em alguns casos são indicadas ações bem mais enérgicas como, por exemplo, a demissão do (a) funcionário (a). Recomenda-se também, dependendo da oportunidade, a transferência da pessoa para outro trabalho, ou área, nos quais possa de fato exercer plenamente a função.
Resumindo: as lideranças nas empresas, levando em conta o ambiente atual dos negócios, precisam cuidar da construção e da preservação de uma cultura na qual as pessoas sabem, respeitam e se comportam com o devido senso de urgência. É vital para a sobrevivência do empreendimento e de seu sucesso de crescimento e lucratividade. Por outro lado é importante o líder avaliar se todos vestem a tal camisa da urgência e, para aqueles classificados como “NoNos” quais são as saídas existentes para mantê-los como parte integrante de uma organização na qual todos levam à sério o senso de urgência, afinal tudo é para ontem!