Por quanto tempo fica o líder no comando do negócio?

São variadas as razões pelas quais o (a) principal executivo (a) se mantém no cargo dirigindo o empreendimento, porém, pesquisas recém-realizadas no ambiente empresarial dos Estados Unidos pela revista Fortune concluíram que há quinze anos (2002) o (a) comandante máximo (a) da firma liderava por um período aproximado de onze anos. Mas isso mudou e em 2016 o tempo médio na função foi de seis anos, ou seja, em quinze anos o tempo no emprego foi reduzido pela metade.

Sim! A necessidade de entregar melhores resultados financeiros aos acionistas, a dinâmica da mudança dos mercados consumidores, o avanço da tecnologia em velocidade alucinante, a busca por maior espaço em mercados cada vez mais disputados pelos concorrentes, a globalização construindo novas regiões para produção de bens e serviços – China e Índia se sobressaem aqui –, as inúmeras operações de aquisição e fusão de empresas à procura de ganhos de sinergia e redução de custos, a exigência de comportamentos éticos e um olhar mais cuidadoso no relacionamento empresa-sociedade, e aos diversos “stakeholders”, ou partes interessadas, têm diminuído a carreira dos executivos que atuam no topo da organização.

É bom destacar que nem todos têm o mesmo destino de enfrentamento da demissão ou do “convite” para procurar outros desafios na vida profissional em curto espaço de tempo, certo? Posso, por exemplo, citar o caso de David Cote – CEO da Honeywell International – a quem tive o privilégio de conhecer e admirar pelo extraordinário trabalho realizado no grupo, e que por mais de quatorze anos ficou no comando de uma organização que vende quase 40 bilhões de dólares por ano e tem lucratividade consistente. Ele agora se retira, pois atingiu a idade máxima instituída pelas regras internas de aposentadoria aos 65 anos de idade.

No Brasil foi emblemática a ampliação do tempo de permanência do Sr. Roberto Setúbal à frente do grupo Itaú Unibanco. Se você se lembra, aos sessenta anos, de acordo com as normas internas dessa instituição financeira, ele deveria ter se retirado. Entretanto, conforme noticiado em 2013, e ainda com 58 anos de idade, se decidiu que o mesmo deveria ficar no comando até completar 62 anos, e no final do ano passado foi feito anúncio ao mercado sobre seu sucessor, que assume em abril de 2017.

A realidade, no entanto, é de vida cada vez mais curta para aqueles profissionais que atuam no comando das empresas, elevando o estresse e a pressão por desempenho superior, e é comum também o enfrentamento de questões de política interna e relacionamento interpessoal. De fato, tudo isso coloca em risco o equilíbrio do ser humano. Diria que o ambiente é hostil e demasiadamente exigente chegando a ser cruel, mas tem gente que gosta e se dá bem nessa situação. Não é fácil, porém.

A primeira questão relevante, em meu julgamento, para a longevidade do principal executivo no negócio é a escolha do grupo de pessoas pelas quais ele se cerca para desempenhar a função. Não há super-homens ou supermulheres! O estilo centralizador não funciona e o tal de “manda quem pode, obedece quem te juízo” não é o que reina hoje em dia nas companhias. É preciso delegar, ouvir as pessoas, buscar o consenso e, lógico, decidir. Tudo isso fica mais fácil com pessoas qualificadas, focadas, leais e determinadas ao redor!

O executivo principal também deve equilibrar o tempo dedicado à estratégia – nunca se esquecer dela – com a necessidade de execução no prazo acertado e minimizando o erro. Muitas vezes as empresas desenham ótimos planos para o futuro, mas a execução é pobre em função de:

  • Falta de monitoramento
  • Ausência de mecanismos para ajuste às mudanças do ambiente de negócios, que sempre acontecem
  • Não aderência das pessoas às ações pactuadas
  • Funcionários não qualificados o suficiente para a boa execução
  • Recursos exigidos para a realização do planejado insuficientes

Outro ponto importante no perfil do (a) executivo (a) principal é a coragem de mudar! Já dizia Albert Einstein: querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual é insanidade! Então não é inteligente querer alcançar resultados melhores sem mudar o jeito de fazer as coisas. Esteja certo!

Nas grandes empresas, saber fazer o “jogo político”, no bom sentido, é importante. Uma das necessidades inerentes à pessoa que ocupa o posto máximo da organização é a de não se esconder ou se ausentar das discussões internas no encaminhamento das estratégias buscando aprovação e apoio ajudando no sucesso do empreendimento.

Finalmente, como ninguém é eterno, o (a) comandante do negócio deve cuidar da formação de líderes que estejam preparados para no futuro assumirem o primeiro posto, ou seja, a função dele ou dela. Afinal, o tempo é curto!

Revisão de texto: Virgínia De Biase Vicari

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