As mudanças, os líderes e as pessoas

Não faz muito tempo, eu ainda no mundo corporativo ouvi a “sugestão” de um executivo de nível superior (chefe do chefe) – algo que já havia também usado para sensibilizar pessoas sobre a necessidade de mudança: não é possível conseguir alcançar resultados diferentes utilizando as mesmas práticas. Em outras palavras, fazendo o mesmo há grande chance de se conseguir os mesmos resultados, certo? Ou ainda podemos recorrer à mente brilhante de Albert Einstein, que teria dito: “We cannot solve our problems with the same thinking we used when we created them”.

Confesso que não gostei do que ouvi naquela oportunidade, até porque sempre me considerei um agente de mudanças, e não alguém “viciado” em repetir decisões já tomadas para diferentes problemas e/ou cenários. Na verdade, até os dias de hoje acredito que o tal executivo de fato já não aceitava mais meu diagnóstico, repetido à exaustão há alguns anos, para solucionar a situação crítica pela qual passava a empresa. Bem, mais isso é coisa do passado.

Na situação em que vivemos mundialmente, de avassaladora quebra de conceitos, paradigmas e de gerações inquietas, e com avanço tecnológico estonteante, verdadeiramente não cabe fazer mais do mesmo. É preciso, sim, dotar a empresa de instrumentos e processos adequados para reagir às mudanças e, se possível, a elas se antecipar. Disto depende o futuro da firma, e não pode ser deixado para mais tarde.

Um dos grandes desafios a serem enfrentados no mundo dos negócios reside, além de diagnóstico correto do problema a ser enfrentado e da formulação da sua solução, no envolvimento, no engajamento e na capacidade das pessoas que terão a responsabilidade direta de executar os planos formulados. Sem dúvida!

Então é assim: a) a companhia precisa estar atenta aos movimentos do ambiente com o uso de processos e ferramentas que auxiliem a detectar as oportunidades de mudança; b) os executivos(as) líderes devem descobrir alternativas e maneiras de agir para superar os desafios; c) quando possível, as pessoas devem fazer parte da discussão das saídas alinhando ações e expectativas, obtendo delas o devido engajamento; e d) a execução das decisões tomadas deve ser realizada por pessoas capacitadas e com total apoio da liderança, incluindo o fornecimento de recursos necessários para o sucesso da jornada. Parece que a receita é fácil de ser adotada, não é? Mas na prática é um belo desafio, esteja certo(a)! Por essa razão, cabe aqui listar alguns pontos que, em meu julgamento, podem auxiliar nessa prática de enfrentamento da mudança:

  • Processos e ferramentas para detecção de oportunidades, sem dúvida, têm relação com o exercício de planejamento estratégico, mapeamento e monitoramento dos riscos do negócio, acompanhamento do resultado do negócio no curto prazo. É importante criar um fórum para discussão frequente dos “achados”, visando não só assegurar conhecimento por parte do corpo diretivo como mobilizá-lo para agir de modo determinado em sequência. No caso de empresas expostas à inovação tecnológica, como empresas de “software e internet”, computação e eletrônica e produtos de saúde (diagnóstica e/ou terapêutica), outro ponto agudo é o volume de recursos empregados em iniciativas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento);
  • A organização das ideias, ou melhor, o diagnóstico do material colhido merece profundo mergulho, com discussões do corpo diretivo, e aqui, quanto mais diversidade de pensamento, melhor. Vale destacar que é função do líder, dependendo do nível hierárquico, mas sem dúvida os de primeira linha, dedicar a maior fração do tempo no pensar estratégico;
  • As pessoas, de fora do corpo diretivo e aquelas de maior talento devem, em algum momento, a depender da cultura da organização, ter voz ativa nas discussões, trazendo mais qualidade nas soluções adequadas ao(s) desafio(s). Isso inclui também a elaboração de cronograma de projeto sólido e negociado entre as partes. É importante dizer que tal talento, mencionado acima, não é obra do acaso. A companhia precisa ser composta de pessoas capacitadas e de desempenho superior à média do mercado/concorrência;
  • Sim, as pessoas fazem a diferença no momento da execução das ações encaminhadas, porém a elas é necessário destinar outros recursos, sejam de tecnologia, humanos ou financeiros, pois de outra forma há risco de fracassarem durante a jornada.

No ambiente de negócios em constante mutação há grande chance de fracasso caso se repita a prescrição de situações anteriores, porém a adequada execução do novo jeito de fazer negócio depende de processos sólidos e, sobretudo, de um quadro de pessoas altamente qualificadas e engajadas.
Revisão de texto: Virgínia De Biase Vicari

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