Tecnologia, Inteligência Artificial e Liderança

A conceituada empresa global TCS – Tata Consulting Services – cujo faturamento anual supera os US$18 bilhões, publicou no início do ano passado os resultados de pesquisa realizada sobre a utilização de soluções de inteligência artificial no mundo dos negócios e o futuro.

A amostra reuniu opinião de 835 executivos de organizações representando 13 setores da indústria, tais como: Automotivo, Saúde, Produtos de Consumo, Energia, Entidades Financeiras e empresas de Alta Tecnologia, entre outros. O estudo englobou 4 regiões geográficas, incluindo América Latina representada por Brasil e México.

Os resultados publicados no site da TCS demonstram que até pouco tempo as iniciativas de inteligência artificial, em grande parte, estavam concentradas na área de TI (Tecnologia da Informação) e que a maioria das empresas pesquisadas já fazia uso de tecnologia da computação em máquinas que tem qualidades até então restritas ao ser humano como: entendimento de língua, reconhecimento de voz e imagem, além da resolução de problemas. No segmento de energia, por exemplo, 100% das empresas abordadas usavam inteligência artificial e aqui as áreas de distribuição e logística eram privilegiadas. Já no segmento automotivo, com grande ênfase na área de manufatura, 90% das empresas respondeu que adotava inteligência artificial. O setor mais atrasado, digamos assim, quanto à utilização dos recursos de inteligência artificial registrou que 81% delas de alguma forma empregavam inteligência artificial em seu ambiente de negócios de produtos de consumo de massa.

A TCS observou que as firmas pesquisadas foram unânimes em afirmar que haverá, em futuro próximo, propagação do uso de inteligência artificial em outras áreas, além de TI e Manufatura, tais como Vendas, Marketing, Finanças e Recursos Humanos, pois será o único modo de assegurar a manutenção da competitividade no mercado.

Isto posto e por tudo que podemos apreender sobre o emprego de inteligência artificial é importante discutir o perfil do líder, seu papel neste ambiente em que a máquina terá privilégio nas atividades empresariais enquanto às pessoas das novas gerações estarão reservadas outras funções, supostamente mais nobres. Outro ponto relevante é como se dará a formação de novas lideranças.

O prêmio mundial da paz de 1973, Henry Kissinger que brilhou como Secretário de Estado dos Estados Unidos da América reservou em seu livro “Ordem Mundial” um capítulo para expor ideias e provocar reflexões sobre tecnologia, equilíbrio e consciência humana. Pois é, ele também reconhece que o avanço da tecnologia muda dramaticamente o ambiente social.

Diz Kissinger: “a tecnologia das comunicações ameaça diminuir a capacidade do indivíduo para uma busca interior ao aumentar sua confiança na tecnologia como um facilitador e mediador do pensamento”. Preocupante, não é?

Mais à frente ele afirma: “a informação na ponta dos dedos encoraja uma atitude mental adequada a um pesquisador, mas pode vir a diminuir a atitude mental necessária a um líder”. Kissinger, então, parece desconfiar que o alto desenvolvimento tecnológico inibirá a formação de líderes de valor.

É aqui que reside, em minha opinião, a importância de discutir sobre os novos líderes e como estes corresponderão a seus papéis na sociedade, incluindo aqueles desenhados para os negócios. Certo?

Que líder empresarial será este (a) que terá de encaminhar as soluções de inteligência artificial e como este, ou esta, engajará as pessoas da organização na adoção da tecnologia com ética e foco no bem estar social, sem descuidar do resultado financeiro da firma e sua longevidade?

São perguntas de difícil resposta até porque propõem antecipar situação futura da liderança no seio das organizações. De todo modo parece haver consenso sobre:

  • Necessidade de o líder, ou a líder, estar frequentemente atualizado (a) com as tendências tecnológicas e em constante treinamento/estudo;
  • Possuir o líder, ou a líder, bom entendimento de tecnologia e benefícios que pode trazer ao negócio;
  • O cuidado de o líder, ou a líder, capitanear as mudanças necessárias no ambiente em frenética evolução cercando-se de pessoas qualificadas, engajadas e dispostas a dar efetiva contribuição, não convencional, no enfrentamento de desafios;
  • A pessoa em função de liderança necessitar de praticar “more we, less me”, ou seja, mais do que nunca deverá o líder, ou a líder,  estar aberto (a) a ouvir os colaboradores de modo franco, enquanto os desafia para pensar “fora da caixa”;
  • Intelectualmente o líder, ou a líder, ter curiosidade. Muita curiosidade.

É possível imaginar, por outro lado, que neste ambiente de utilização massiva de inteligência artificial as pessoas tenham preocupação com perdas e se sintam inseguras. Aqui o líder deve evitar o isolamento atuando muito próximo das pessoas cotidianamente.

Ainda quanto ao papel de liderança outro dia li sobre a importância do aprendizado por experimentação. Em outras palavras num mundo em constante mutação e o emprego de recursos de alta tecnologia exigirá desprendimento do líder para permitir às pessoas que iniciativas de alto risco sejam tomadas sabendo de antemão que há probabilidade acentuada para erro e/ou falha. Estariam os novos líderes preparados para também recompensar pessoas pelo fracasso ao contrário de puni-las? Aqui reside enorme quebra de paradigma a merecer reflexão por parte das organizações e seus líderes.

Finalmente cabe ressaltar que esta nova era de algoritmos, inteligência artificial e robôs não diminuirá a importância de uma geração de líderes com valores humanos importantes como: flexibilidade, humildade e com coragem para promover mudanças ouvindo as pessoas; acolhendo suas propostas e atuando como verdadeiro (a) aglutinador (a) unificando o time de colaboradores.

Pense nisso!!

 

 

 

 

 

 

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