Empreendedorismo: uma visão geral

Não há como negar que os negócios ao redor do mundo têm passado por grande transformação nas últimas décadas, provocada pela velocidade de mudanças tecnológicas, inovações disruptivas na área de serviços, com o desenvolvimento de softwares e aplicativos, anteriormente impensáveis. Neste quadro de mudanças se inserem também diversas iniciativas de fusões e aquisições de grandes empresas fazendo florescer outras ainda maiores em seu lugar.

Essas alterações no mundo dos negócios, na maior parte das vezes, têm provocado perda de muitos postos de trabalho, colocando em dúvida o futuro da empregabilidade tradicional, a tal formalizada pelo vínculo trabalhista.

De outro lado, as novas gerações (Y e Z), diferentemente das anteriores, parecem em boa medida movidas pelo desafio intelectual e com disposição para fazer diferença na sociedade, deixando de lado a busca de oportunidades no mundo corporativo tradicional para se dedicarem a seus próprios negócios na tentativa de materializar seus sonhos.

Temos então o ambiente perfeito a estimular o espírito empreendedor, ou seja, daquele ou daquela pessoa que por iniciativa própria busca concretizar ações no desenvolvimento e na oferta de produtos e/ou serviços construindo sua própria firma.

Na verdade, o ato de empreender está presente há milênios, mas claro que os modelos de negócio foram se modificando e se sofisticando com o desenvolvimento da agricultura, o advento da revolução industrial, democratização da informação via internet, e mais recentemente pela diversidade de novos empreendimentos na área de serviços.

No início do século XIX, segundo a Wikipedia, coube ao economista francês Jean-Baptiste Say descrever uma definição mais ampla de empreendedorismo, dizendo que esse tipo de iniciativa realocava recursos econômicos de áreas/setores de baixa produtividade para outras de maior produtividade, elevando o nível geral dos negócios.

Em 1985, o grande guru da Administração, Peter Drucker, escreveu um livro com o sugestivo nome: “Innovation and Entrepreneurship – Principles and Practices” aproveitando a oportunidade para discutir o fenômeno do empreendedorismo, então bastante presente na sociedade estadunidense e caracterizado por diversos casos de empresas de sucesso que se sobressaíram pela inovação aportada e que tiveram início a partir de ideias do empreendedor. A materialização dessas ideias viria a ocorrer, na maior parte das vezes, na garagem da casa dele. São exemplos de grandes empreendimentos de hoje que deram os primeiros passos na garagem: Disney, HP, Mattel, Apple, Microsoft, Intel e mais recentemente Amazon (1994) e Google (1998).

Em seu livro, Drucker lista alguns pontos que em seu julgamento deveriam estar presentes no espírito e no jeito de ser do empreendedor, lembrando-o de que inovar é fundamental para o sucesso no empreendimento Sim, Peter Drucker acreditava que inovação é palavra de ordem no empreendedorismo.

Aqui vão alguns dos pontos endereçados por Drucker:

  1. Paixão pelo negócio;
  2. “Go to work!” – Ação; não ficar esperando pela inspiração;
  3. Clara definição do propósito do negócio;
  4. Entender quem é seu cliente – se colocar no lugar dele para definir oferta de bens e/ou serviços de sucesso;
  5. Testar e experimentar;
  6. Medir o resultado da inovação ofertada;
  7. Mudar a direção, se necessário;
  8. É preciso resiliência para prosseguir sabendo que é parte do jogo o fato de muitas ideias não sobreviverem.

Veja que aconteceu uma evolução na percepção do empreendedorismo e sua abrangência de escopo desde J.B Say até Peter Drucker. E assim continua.

Hoje muito do que se fala de empreendedorismo tem sido vinculado às empresas ditas startups. Não concordo exatamente em incluir tão somente as startups como legitimamente fruto do trabalho de um empreendedor. Para mim, empreendedor também é aquele que abre seu negócio por conta própria, de qualquer natureza e, lógico, correndo os riscos em proporção ao tamanho de sua ambição ou sonho. Por outro lado é importante reconhecer que as startups são a bola da vez, certo?

E afinal, o que são empresas startup?

Há discussões a respeito, mas em minhas pesquisas encontrei uma que talvez identifique bem esse tipo de empreendimento: “companhia formada por um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, sendo desenvolvida em ambiente de grande incerteza.

O livro “Exponential Organizations”, cujo lançamento no Brasil aconteceu no ano de 2015 (Editora HSM), descreve em quase trezentas páginas por que as organizações e empresas startups, chamadas exponenciais, são dez vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que outros tipos de empreendimentos. Em outras palavras além de repetível e escalável a organização exponencial, segundo os autores do livro é aquela cujo crescimento ocorre em altíssima velocidade devido ao uso de técnicas organizacionais que alavancam as tecnologias aceleradas (inteligência artificial, robótica, biotecnologia, neurociência, impressão 3D e ciência de dados).

São exemplo de empresas exponenciais: Airbnb, Google, Uber, Netflix, Waze e Tesla.

Como você pode observar, falar de empreendedorismo no ambiente de negócios no Brasil e no mundo traz a oportunidade de explorarmos ideias que deram certo, outras nem tanto, porém sempre reconhecendo a importância do “animal” chamado empreendedor, hoje tido como mola propulsora indispensável para o crescimento econômico, geração de renda e riqueza além da oferta de melhor qualidade de vida para clientes e consumidores.

A seção “Empreendedorismo” do blog Senhor Gestão veio, portanto, para ficar!

Bem-vindo ao mundo do empreendedorismo!

 

Revisão de Texto: Virgínia De Biase Vicari

 

 

 

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