Não resta dúvida sobre a grande transformação vivida no universo corporativo nas últimas décadas. Estou me referindo aqui às novas demandas advindas de uma geração de pessoas mais comprometidas e engajadas em questões que superam o olhar do “lucro pelo lucro”, como também àquelas necessidades provocadas por práticas de gestão inadequadas, fraudulentas causadoras de graves crises de confiança nos mercados.
No início dos anos 1990 John Elkington começou a disseminar um novo jeito de avaliar o desempenho dos empreendimentos observando que além do resultado financeiro as questões de impacto social e ambiental mereciam o mesmo destaque. A esse modelo deu o nome “triple bottom line” que podemos tentar traduzir para “triplo resultado” ou tripé da sustentabilidade.
Outro fato que estimulou essa discussão foi o despertar da sociedade em geral para a realidade de que recursos naturais são escassos e o desenvolvimento desenfreado tem provocado efeitos colaterais indesejáveis comprometendo o futuro da Humanidade.
As empresas na figura de seus gestores têm a obrigação de cuidar de todas as essas questões para perenizar os negócios. Nesse contexto a visão holística observando as diversas faces do empreendimento e efeitos junto às partes interessadas ou “stakeholders” é requisito primeiro no perfil do Gestor.
Outro ponto relevante é a comunicação da Corporação com a sociedade em geral. É preciso prestar contas notadamente as empresas que são públicas, ou seja, que têm ações e títulos negociados em Bolsa de Valores. Aqui é louvável o esforço da BM&F Bovespa que no final do ano de 2005 criou o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) do qual hoje participam 40 empresas compromissadas com a boa Governança e tentando praticar um jeito diferente de fazer negócios ao invés de simplesmente buscar o resultado financeiro imediato. Os relatórios financeiros das Companhias, por outro lado, também passam por transformação com a adoção cada vez mais frequente do RFI (relatório financeiro integrado) divulgando a estratégia e outros pontos relevantes dos negócios além dos números puramente financeiros.
O empreendimento tem que dar lucro! Não há dúvida sobre isso, porém a sustentabilidade do negócio em geral e sua perenidade dependem da importância dada pelos Gestores às questões sócio ambientais e o exercício da visão holística de longo prazo.