Na década de 1960, segundo pesquisei, algumas empresas dos Estados Unidos da América que atuavam na indústria aeroespacial passaram a adotar um novo desenho de organização para melhor lidarem com projetos complexos e de longo prazo. A NASA, especificamente foi uma delas e obteve grande sucesso em seus empreendimentos que culminou com a chegada do homem à lua, desafio esse lançado pelo então Presidente John Kennedy.
Ao longo dos anos 1970, e daí por diante até os dias atuais, mais e mais as empresas fizeram arranjos internos implantando o conceito de organização matricial e para tanto “mexeram” com a vida das pessoas: de lideres e também de subordinados.
A organização matricial tornou-se ainda mais importante com a dinâmica da globalização exigindo que empresas redesenhassem suas estruturas visando atender às necessidades regionais, sem perder de vista o objetivo comum de crescimento e lucratividade geral. Além disso, muitas empresas ficaram mais complexas para gerir com emaranhado número de negócios cobrindo segmentos diversos no setor industrial e também no setor financeiro.
A organização matricial é hoje condição essencial para o sucesso dos negócios em empresas de médio e grande porte e que tenham atividades ao redor do mundo num ambiente de constante mutação e inovação tecnológica.
Os defensores da modelo matricial argumentam que uma das vantagens iniciais trazidas por esse desenho organizacional advém da eliminação do conceito de “silos” departamentais funcionais que de fato imperavam no seio das empresas, no qual a pessoa tinha um único ponto formal de contato e subordinação. De fato hoje se percebe maior interação das pessoas e a possibilidade da criação de centros de excelência nas diversas áreas do negócio como: Recursos Humanos, Finanças, Tecnologia da Informação, Manufatura e Vendas.
Na organização dita matricial, diferentemente do modelo funcional, as pessoas usualmente reportam, ou estão subordinadas, a mais de um líder. O exemplo mais simples é do Diretor Financeiro que nessas empresas atende ao Presidente local do negócio e ao Diretor Financeiro global. E por aí vai, quer dizer as empresas ficam mais horizontalizadas e a troca de informações e de experiências é muito rica possibilitando maior engajamento das pessoas nas atividades.
Pesquisa recentemente realizada pelo Instituto Gallup nos Estados Unidos da América, com representativa amostra de empregados, identificou que um dos grandes benefícios trazidos pelo modelo de organização matricial advém do ambiente de colaboração intenso criado com o modelo e que é criado também espaço para padronização de processos de trabalho de excelência. Foi possível também observar que as pessoas pesquisadas relataram maior reconhecimento da empresa às suas opiniões. Tudo de bom, não é?
Não! Não é!!!
Para funcionar de fato o modelo matricial de empresa exige cuidados na avaliação comportamental dos líderes formais e também no perfil das pessoas que precisam prestar contas a mais de um “chefe”. Não é coisa simples!
A renomada empresa de consultoria McKinsey publicou texto em Janeiro desse ano sobre o tema alertando para alguns pontos que podem comprometer o desempenho dos negócios de uma empresa com organização matricial. São eles:
- Falta de clareza às pessoas sobre o que delas é esperado por parte dos líderes à que estão subordinadas;
- Indefinição das responsabilidades na função e nos projetos que o funcionário, ou funcionária, compartilham com outros colegas de trabalho;
- Falta de alinhamento de objetivos entre os líderes formais;
- Risco de disputa de poder entre líderes emitindo mensagens diferentes aos subordinados, ou até conflitantes;
- Excessivo número de reuniões internas, com pouca objetividade e pior com tomada lenta de decisão.
Eu adicionaria outro ponto que julgo relevante: é necessário entender a cultura local da região em que a empresa está instalada, pois as pessoas podem ficar “perdidas” ao responder a mais de um líder ou, então, respeitar mais a um do que a outro devido à senioridade, por exemplo. Seguramente a pessoa de cultura oriental ou asiática tem valores e perfis diferentes de um brasileiro. Não dá para desprezar esse contexto.
Para finalizar: o desempenho superior do negócio depende de pessoas engajadas e comprometidas com os objetivos e que saibam claramente o que delas é esperado, independente do modelo da organização, mas naquelas que tem o desenho matricial o real alinhamento líderes formais, sem vaidades, e a definição formal dos papéis das pessoas além de avaliações de performance frequentes fazem enorme diferença.