Governança ideal: até o próximo escândalo!!

É inegável o grande avanço conquistado no mundo dos negócios, tanto nas economias desenvolvidas como naquelas que se apresentam em fase de desenvolvimento, quando falamos de governança corporativa.

As empresas privadas sem dúvida alguma têm procurado, ao longo das últimas décadas, introduzir práticas cada vez mais consistentes visando manter os negócios lucrativos para os detentores do capital enquanto atendem a outros requisitos indispensáveis no convívio com outros atores como: empregados; governos; clientes; fornecedores e comunidade. É cada vez mais clara a necessidade de equilibrar as decisões de negócio levando em conta interesses diversos. Essa é a boa governança!

O foco em praticar a governança ideal resulta não só do fato de que muitos dos líderes enxergam os benefícios da conduta correta, mas também porque as leis e regulações do mercado, além da própria sociedade, têm punido exemplarmente os desvios de comportamento.

De todo modo apesar dos avanços na formulação de regras e leis, no aperfeiçoamento da gestão dos negócios; do “policiamento” sobre as ações de governo e da classe política e das punições aplicadas, temos ainda hoje a percepção, através de notícias e fatos publicados periodicamente, que muito ainda está por vir. Não convém, no entanto, ficarmos desesperançados à espera do próximo escândalo.

Em nosso país a sociedade viveu grandes reformas impulsionadas pelo governo Federal então sob o comando de grandes brasileiros como Roberto Campos, Octávio Bulhões, Mário Henrique Simonsen, Antônio Delfim Neto, Modesto Carvalhosa, e ainda em 1976 transformou-se em lei as linhas principais na conduta de negócios pelas sociedades por ações. A lei de número 6404 foi de fato um grande avanço e daquela época para os dias de hoje muitas outras mudanças foram adotadas aperfeiçoando, em muito o jeito de fazer negócios e o relacionamento das companhias para  com seus acionistas sejam eles majoritários ou minoritários.

Há vinte anos foi criado no Brasil o IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – que acabou se transformando num fórum para o debate de ideias das melhores práticas e cujo corpo de estudiosos está sempre atento às mudanças e discussões mundo afora visando orientar as empresas, tanto privadas como mais recentemente as públicas, sobre a governança ideal. Continuamos avançando! E é visível o progresso que podemos observar tanto na empresa de capital aberto e pulverizado como naqueles de controle familiar. Hoje, mais do que nunca, a família dona do negócio busca profissionalizá-lo com práticas modernas de boa gestão, além de introduzir a “meritocracia” no reconhecimento dos talentos humanos de que dispõe.

O Instituto acaba de lançar a quinta edição do “Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa”. É leitura obrigatória aos gestores de modo geral e principalmente àqueles que têm a responsabilidade de bem gerir a empresa privada seja ela de capital aberto ou fechado. Vale a pena fazer uma reflexão sobre os pontos destacados pelo IBGC e, sobretudo que o gestor entenda o que é aplicável a seu negócio a fim de aperfeiçoar continuamente a empresa e o comportamento de suas pessoas.

A par de conhecer as recomendações de um órgão como o IBGC e cumprir a lei, a empresa através do corpo dirigente, necessita demonstrar e transpirar “ética” em seus atos e decisões. Mas como são pessoas que “tocam” o negócio no dia a dia, a adoção de processos robustos de controle interno e neurótica avaliação periódica do comportamento levando em conta todas as partes interessadas: acionistas, empregados, governos, clientes, fornecedores e comunidade, são cruciais para mitigar infrações que possam comprometer o resultado do negócio e sua perpetuidade.

Muitas das vezes que tomamos conhecimento de má governança em empresa pública ou privada, e não foram poucas nas últimas décadas tanto em nosso país como fora dele, podemos ficar com a imagem distorcida de que há uma deterioração no modo de fazer negócios e que muito dirigente por aí é suspeito até prova contrária. Não é correto pensar assim. Prefiro dizer sim, que a prática da boa governança é um processo de contínuo aperfeiçoamento.

Até o próximo escândalo!!

 

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