Como lidar com a incerteza?

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Um dos maiores desafios dos líderes de empresas é como lidar com a incerteza e fatores externos à gestão, que acabam por modificar o ambiente exigindo mudanças táticas e estratégicas no seu devido tempo e lugar.

É sabido que a incerteza tem sido muito mais aguda, de algumas décadas aos dias de hoje, criando uma séria de novas necessidades nos mercados, modificando os modelos de negócio e até outros segmentos de mercado/produto. Além disso, as expectativas e necessidades dos consumidores e clientes estão em constante mutação.

Então…o grau de incerteza é elevado, e nada indica que a situação fique mais fácil no futuro para o líder perpetuar o sucesso do empreendimento.

Olhando para lado da economia as projeções e indicadores mais recentemente divulgados, por órgãos globalmente respeitados, trouxeram muita apreensão e até pânico nos mercados com implicações significativas, por exemplo, das Bolsas de Valores e nas paridades cambiais. Veja a previsão de crescimento do PIB para 2016 que o FMI – Fundo Monetário Internacional:

  • Crescimento Global 3,4%
  • Economias Avançadas 2,1%
  • Estados Unidos da América 2,6%
  • Zona do Euro 1,7%
  • China 3%
  • Brasil (3,5%)

A OCDE – Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica – calibrou seus números em Fevereiro e indicou situação mais complicada comparativamente ao FMI. Para a instituição o crescimento dos Estados Unidos da América, por exemplo, será de 2%, enquanto a Zona do Euro fechará o ano crescendo míseros 1,4%. O Brasil, segundo a OCDE, terá crescimento negativo de 4%!!!

É óbvio que essas projeções aumentam a incerteza nos mercados e hoje seguramente os líderes de negócio estão discutindo o ambiente e redefinindo objetivos e metas.

A utilização de informações que veem de órgãos como a OCDE e o FMI é, sem dúvida uma iniciativa importante para discussão interna estruturada na organização, mas o que mais deve um líder fazer para navegar nessas águas turvas e movimentadas chegando a um destino seguro, ou mais seguro?

Em primeiro lugar, em meu julgamento, o líder deve atuar com certa dose de conservadorismo e, ao mesmo tempo, tem de mirar além da linha do horizonte buscando saídas que possibilitem identificar oportunidades. Outro ponto importante é evitar o pânico que nada constrói e ainda gera ações descoordenadas “roubando” o foco das pessoas no caminho traçado.

Uma matéria muito interessante que li no ano passado, de autoria do guru Ram Charan, chama a atenção para a necessidade dos líderes de negócio desenvolverem aptidões e capacidades que os levem a observar criticamente o mundo ao redor, e que tragam para o interior da organização esses fatos, dados e percepções permitindo o desenvolvimento de estratégias, todo o tempo!!! O nome do artigo: “20/20 Foresight” foi publicado na revista Strategy+Business.

O estudioso reconhece a incerteza dos mercados nos dias de hoje e cita que a vantagem na competição será daquele líder que não só aprendeu a viver com a mudança, mas daquele que cria a mudança. Uma vez que a mudança, ou a incerteza, não espera pelo ciclo de planejamento da empresa é preciso fazer observações, como se fôra um radar, de modo disciplinado antecipando tendências e envolvendo toda organização na discussão ordenada dos temas que afetam a firma.

E onde buscar esses dados, informações sentindo o vento da mudança? Um modo, segundo Ram Charan é dedicar, por exemplo, dos dez minutos iniciais da reunião de gerência/diretoria para aprender e compartilhar  anomalias no mundo exterior. É fundamental manter o olhar para fora do negócio, sempre.

Outro mecanismo importante na antecipação de mudanças é fazer visitas frequentes ao mercado e ainda trocar ideias com empresas do ramo e outros líderes. É necessário “quebrar” o isolamento, procurando no mundo exterior pelas informações e dados que possam contribuir para a adequação das táticas e estratégias da empresa ao novo!

O líder bem sucedido é aquele que emprega olhar crítico e agudo das situações do ambiente empresarial, de governo, de país, do globo…com certa dose de conservadorismo é verdade, mas sobretudo que tenha como principal metodologia de trabalho a curiosidade para descobrir e antecipar mudanças e tendências. E isso de nada valerá se o líder não trouxer essas descobertas para dentro da organização.

Pense nisso!!

 

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