O ambiente de negócios tem se modificado substancialmente nas últimas décadas, e em velocidade aceleradíssima com inovações tecnológicas e a globalização dos mercados promovendo uma dinâmica nunca vista. Um bom negócio hoje pode simplesmente desaparecer amanhã, caso os gestores e seu grupo de pessoas não estejam vigilantes ou não tenham visão holística do ambiente.
Em paralelo as novas gerações que formam a sociedade apresentam olhar bem mais crítico sobre os empreendimentos e atividades de negócio. Hoje em dia a empresa precisa não só gerar lucro a seus donos, sócios ou acionistas, como também seus gestores devem observar outras demandas exigidas pelos clientes, fornecedores, governos, empregados e comunidade.
A complexidade é enorme e isso requer profissionais capacitados e preparados nas diversas áreas da organização e em Finanças não é diferente. Lá também é importante contar com pessoas e líderes que: a) dominem técnicas e ferramentas de gestão avançadas; b) produzam e compartilhem dados e informações de qualidade; c) sejam participantes ativos nos processos internos de decisão apoiando a liderança do empreendimento e d) possuam acurada visão de Mundo.
Em 1494 um monge franciscano e estudioso de matemática, chamado Luca Pacioli, “inventou” um mecanismo denominado de “partidas dobradas” que organizou definitivamente como as transações do negócio deveriam ser registradas na simples equação de que para cada lançamento de crédito corresponderia a um de débito. Bem simples, mas como uma lógica nunca mais abandonada pelos profissionais em Finanças.
Na década de 1920 a empresa estadunidense E. I. duPont de Nemours criou para uso interno uma ferramenta que permitia uma leitura clara dos fatores ou métricas mais representativos na medição do retorno de investimento. Até hoje também essa técnica é utilizada e faz parte do “arsenal” que o gestor financeiro pode utilizar em apoio às lideranças das empresas.
Em constante evolução e percebendo que a simples contabilidade já não satisfazia a interpretação adequada dos custos de um empreendimento e das margens geradas por linha de produto, por exemplo, um estudioso originalmente formado em engenharia elétrica e que depois se tornou professor em Harvard – Robert Kaplan – divulgou estudos sobre “custos por atividade” ou activity based costing, em Inglês. De apuração relativamente complexa a ferramenta trouxe luz para melhor avaliação e decisão sobre a rentabilidade do negócio e quais atividades geram valor. Um grande avanço, sem dúvida.
Outra contribuição de Kaplan para a gestão das empresas foi o desenvolvimento do “balanced scorecard” do qual já falei em outro texto publicado em 29 de Janeiro desse ano e para referência aí vai: “Balanced Scorecard – ferramenta eficaz de apoio a excelência na gestão”. Faça uma leitura para saber mais.
As práticas de gestão e novos instrumentos financeiros criados ao longo dos últimos anos, como os sofisticados “derivativos”, também têm exigido definição de metodologias adequadas para o registro dessas transações e que possam de modo transparente mostrar ao mercado a real situação financeiro-econômica de um empreendimento.
A globalização; a necessidade de publicação aberta das informações da empresa; o novo perfil das empresas “transnacionais”; a importância da comparabilidade dos empreendimentos de um determinado setor e ainda as moedas dos países e/ou regiões têm justificado um esforço de padronização dos registros contábeis mundo afora. Esse é um passo importantíssimo que está sendo dado, inclusive o Brasil se insere nessa empreitada.
Esse relato histórico indica de modo claro a relevância da área financeira e da parcimônia e método que devem ser adotados pelo gestor da área e seus subordinados, além da interação importante com o restante da organização.
O executivo maior, ou executiva maior, em Finanças deve então ter excelente formação técnica sem deixar de lado outras características vitais para o efetivo funcionamento da área e em apoio a excelência dos resultados do negócio. São elas:
- Ética;
- Conhecimento profundo do negócio e do setor de atuação da empresa;
- Entendimento dos riscos do negócio e das exigências locais e externas;
- Apoiar e monitorar o time de gestores na execução dos planos da empresa;
- Visão estratégica e de longo prazo;
- Liderar pessoas e cuidar para que estas tenham formação adequada e atualizada;
- Cuidar do bom relacionamento com acionistas e mercado (no caso de empresas de capital aberto);
- Visão holística;
- Comunicação com pares e superiores e facilidade para trabalhar em equipe;
A relevância do líder, ou da líder, de finanças como vimos é indiscutível e para tanto a empresa precisa ter em seu time de líderes alguém preparado. Altamente preparado!