Custo de Capital no desenho da estratégia de longo prazo

A profunda crise econômica global, desencadeada na segunda metade do ano de 2007, provocou mudança importante por parte dos Bancos Centrais mundo afora nas políticas de estabelecimento das taxas de juros na tentativa desesperada de mitigar a queda da atividade e o consequente efeito danoso nos níveis de emprego. E assim tem sido desde então.

O Banco Central Norte Americano (Federal Reserve) é um bom exemplo dessa política mais branda quanto ao custo do dinheiro, pois em 2007 a taxa de juros era de 4,5% ao ano e agora em 2016 está mantida em 0,5%. Na Inglaterra o nível de juros caiu de 5,5% e permanece estável em 0,5% ao ano. Já o Banco Central Europeu administra a taxa de juros a 0% em 2016 quando no ano de 2007 ela era de 4% para doze meses.

O que muitos estudiosos têm questionado, mais recentemente, é até quando será viável e saudável manter a taxa de juros, sobretudo no mundo desenvolvido, em níveis tão baixos. Parece que isso vai mudar. E se vai mudar, a tal mudança precisará ser levada em conta pelos gestores na formulação da estratégia dos negócios de longo prazo, afinal recursos financeiros são necessários na execução dos planos de crescimento e rentabilidade do empreendimento.

O deslocamento das taxas de juros para cima nos próximos dez anos (alguns falam nos próximos cinco) deve ocorrer simplesmente em obediência ao fenômeno de oferta e procura. Sim! Grandes mudanças são esperadas na demanda por capital para fazer frente às necessidades dos países emergentes nos investimentos em infraestrutura, principalmente.

O processo acelerado de urbanização na Índia, mas também na Indonésia e China e o baixo investimento realizado nas últimas décadas em outras economias como a brasileira, a mexicana e a russa, exigirão recursos para a construção acelerada de estradas; portos; aeroportos; vias de transporte urbanas (metrôs) e saneamento básico. Em paralelo os governos nessas regiões, e de modo geral no Mundo, já enfrentam terríveis dificuldades de arrecadação de recursos suficientes para atenderem às necessidades de custeio. O que podemos dizer então de investimentos?

As projeções mais recentes indicam que no ano de 2030 a demanda global por capital em apoio às iniciativas em infraestrutura girará entre 57 e 67 trilhões de dólares. É muito dinheiro o que provocará escassez aguda de capital. Os juros vão subir necessariamente e esse fenômeno tornará mais desafiante a missão dos líderes de negócios, por certo.

Para enfrentar a escassez de capital e a consequente elevação do custo do dinheiro nos mercados financeiros será preciso melhorar a “produtividade” do capital, mas o quer dizer isso?

A fim de obter maior produtividade do capital as empresas terão de ter muito mais cuidado no desenvolvimento das estratégias de crescimento e, sobretudo será primordial redefinir prioridades concentrando recursos na execução de projetos de tempo de maturidade menor (retorno mais rápido); no controle e monitoramento rígido dos orçamentos e melhor qualidade no processo de avaliação de projetos.

É vital desde já, e eu observo algumas grandes corporações fazendo isso , tomar ações no sentido de acelerar a geração de caixa. E como se faz isso, além de maior critério nas decisões de investimento de longo prazo? Uma maneira é diminuir o volume de recursos “empatados” como capital de giro e aí seguem três iniciativas:

  • Alongar o prazo de pagamento a fornecedores de materiais e/ou serviços:
  • Diminuir, ou encurtar, o financiamento de clientes, onde possível;
  • Adotar práticas modernas na gestão dos estoques e na programação da produção.

Do lado da captação de recursos, além de buscar boas parcerias com instituições financeiras, um caminho pode ser a procura de fundos “private equity” ou até de recursos oriundos de fundos soberanos de países. Claro que ainda cabem alternativas como a abertura de capital da empresa com a oferta de ações e endividamento com o lançamento de debentures.

Outro ponto importante a observar é o desempenho do empreendimento. Os bancos oferecem taxas de juros mais atrativas ao tomador que aparenta menor risco de crédito, óbvio!

Na discussão da estratégia de longo prazo do negócio, em algum momento no futuro, maior relevância terá o custo de capital até porque estudos indicam que o tempo de “dinheiro barato”, principalmente nas economias avançadas, está fadado a se encerrar.

 

 

 

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