Na década de 1970 foram bastante difundidas as ideias lançadas por Herbert Marshall McLuhan acerca do que este chamou de “Global Village” ou “Aldeia Global”. O mestre McLuhan, estudioso da mídia e da propaganda, indicava que o progresso tecnológico estava reduzindo o planeta a uma aldeia, na qual a interligação entre as pessoas provocaria maior proximidade.
De fato a vida em sociedade tem passado por mudanças cada vez mais intensas nas últimas décadas e em grande parte estimuladas pelo avanço conquistado no mundo das Comunicações. O desenvolvimento da informática e a disseminação do uso da internet permitem a propagação rápida e em tempo real das notícias e fatos que ocorrem em todos os cantos do Mundo.
Em paralelo o acesso livre e democrático às redes sociais tem acelerado ainda mais a difusão de ideias, formando opiniões e movendo pessoas, governos e organizações a tomadas de posição que podem em prazo muito curto impactar, para o bem e para o mal, o curso dos acontecimentos.
No mundo dos negócios, observamos empresas enfrentando grandes mudanças e convivendo em ambientes cada vez mais hostis, nos quais a procura pelo desempenho excelente (acima da média) e a visão de curto prazo tem precipitado uma sequência que parece infindável de gestões fraudulentas ou equivocadas na estratégia, o que provoca nos mercados muita decepção e insegurança, levando em alguns casos a total bancarrota do negócio. Estes fatores têm criado um espaço importante para a discussão e para a implantação daquilo que se chama a boa prática da Governança Corporativa. Afinal, o valor das empresas atribuído pelo mercado, bem como a perenidade dos negócios, conforme estudos indicam, tende a serem mais efetivos se boas práticas de Governança estiverem sendo adotadas de modo consistente por seus gestores.
Conforme recomendado por órgãos disseminadores da Governança Corporativa, os princípios que norteiam a boa Governança são: Transparência; Equidade; Prestação de Contas e Responsabilidade Corporativa.
Conectando as duas partes – o avanço na velocidade da informação/comunicação com seus efeitos colaterais importantes e a dinâmica no mundo empresarial com as práticas da boa Governança – cria-se um novo contexto no qual papel da Comunicação ficou, sem dúvida, mais engrandecido devendo o tema ser enquadrado tanto dentro do princípio da Transparência como da Prestação de Contas. Mais relevante ainda em situações de crise, sem dúvida!
Casos reais como: gestão fraudulenta; “recalls” na indústria automobilística; acidentes impactantes ao meio ambiente; disputa de controle acionário; desastres aéreos têm demonstrado quão cruciais são a comunicação empresarial transparente e a prestação de contas com conteúdo acertado e no “timing” oportuno. É verdade que a “gestão da crise” é muito mais que comunicar com transparência ao mercado e às partes interessadas (como definidas sob o guarda-chuva da Governança: acionistas, empregados, clientes, fornecedores, governos, comunidade, sindicatos).
É preciso reconhecer que não é fácil fazer-se comunicar com públicos tão diversos e muitas das vezes com desejos e expectativas antagônicos. Públicos diferentes exigem identificação correta do melhor meio pra transmitir a mensagem, além de cuidado com conteúdo. Tudo isso deve ser levado em conta pela empresa e seus dirigentes. Na verdade o processo de Comunicação Organizacional deve ser integrado, juntando questões vinculadas à comunicação interna, mercadológica e sem dúvida, com um viés institucional. Além de todo esse cuidado no planejamento e execução das ações, é recomendado fazer um monitoramento sobre a eficácia da mensagem junto às partes interessadas.
Não resta dúvida, portanto que as organizações precisam cuidar muito bem da Comunicação dentro e fora delas. Afinal se bem conduzida esta trará benefícios para os negócios por meio da diferenciação diante de outros partícipes do ambiente empresarial, além de mostrar nitidamente a transparência com que a empresa divulga fatos a ela ligados.
A boa comunicação e no momento certo trazem valor para o negócio ou ainda mitigam impactos negativos ao valor e imagem da empresa.