Não há como negar que a presença de Conselho de Administração nas empresas de capital aberto no Brasil, e/ou Conselho Consultivo nas empresas que não tem essa exigência legal, é ponto importante para promover a excelência na gestão dos negócios.
Atuando ao lado da Diretoria Executiva um grupo participativo e qualificado de conselheiros é de grande valia e ajuda não só no acompanhamento do desempenho da empresa, como pode servir de suporte nas discussões das estratégias de longo prazo e, sem dúvida contribui para a boa governança.
É possível observar em nosso país avanços nas questões ligadas à governança corporativa no seu sentido mais amplo que vai além de assegurar a perenidade da organização, objetivando também atender a interesses dos acionistas e de outras partes ou os chamados “stakeholders”: empregados, clientes, fornecedores, governo, comunidade. Estamos avançando!
No ano passado o IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – completou vinte anos de atuação no ambiente de negócios do país com imensa contribuição na discussão e orientação das melhores práticas de governança, incluindo na agenda o papel dos conselhos na vida empresarial. De outra parte a BMFBovespa criou categorias mais exigentes na questão da governança, como por exemplo, o “Novo Mercado” e a CVM – Comissão de Valores Mobiliários, há anos tem primado por participação clara e transparente no trato das questões ligadas às empresas de capital aberto. Estamos avançando!
Hoje já observamos razoável número de companhias constituindo conselhos e isso está acontecendo naquelas de capital fechado; nas familiares e em outras de tamanho médio e pequeno. Continuamos avançando!
Apesar dos avanços de que falamos é preciso reconhecer que podemos fazer melhor e, na verdade, em todo o mundo percebemos que o tema da governança corporativa está cada vez mais presente, buscando sempre aperfeiçoamento das práticas, de um lado inibindo ações fraudulentas e de risco exacerbado para as organizações e de outro assegurando a perpetuidade dos empreendimentos com responsabilidade social.
Voltando à questão dos conselhos: é justamente no ambiente de grande competição; de mudanças constantes de tecnologia; da globalização dos mercados e da exigência de entrega de resultados financeiros superiores que se faz mais importante ainda a presença de um grupo de conselheiros bem preparado, independente e coeso trazendo equilíbrio e mais “ciência” às decisões do negócio.
A complexidade do ambiente de negócios, portanto exige cuidado na definição do papel dos conselhos das empresas e das expectativas de sua atuação, conforme orienta o IBGC. Por outro lado é preciso levar em conta na constituição do conselho o grau de maturidade da organização.
Outro ponto relevante é a formação do grupo de conselheiros levando em conta a diversidade! Temos aprendido mais e mais que a composição de grupos de trabalho e, o conselho não deixa de ser um deles, com membros que tenham visões diferentes; experiências diversas e gêneros opostos são mais ricos e promovem melhores decisões.
Além da diversidade do grupo de conselheiros é muito recomendado pelos estudiosos da boa governança que parte considerável do conselho seja composta de conselheiros ditos “independentes”. Eu concordo!
O IBGC também elenca competências que um conselho deve apresentar, dentre seus membros:
- Experiência prévia como executivo sênior;
- Conhecimentos de finanças e da área legal;
- Experiência em gestão de pessoas;
- Capacidade para identificação e controle de riscos;
- Rede de contatos na área de interesse do negócio.
Outras demandas, no entanto, têm surgido no sentido de a empresa dispor de um conselho bem preparado. Uma delas saiu na mais recente edição trimestral da revista “Strategy+Business” a qual dedica matéria interessante sobre conselhos de administração reforçando que mudanças tecnológicas e, a dinâmica no universo de TI (tecnologia da informação), recomendam a inclusão no quadro de conselheiros de profissionais preparados e que tenham intimidade com o avanço da informática: “big data”, “internet das coisas”, inteligência artificial, “cloud computing”, tecnologia móvel. Por quê? Simplesmente devido ao fato de que o avanço de TI exige, em muitas situações, que a empresa necessita antecipar tendências e o conselheiro preparado pode ajudar na identificação de vantagens competitivas durante a discussão estratégia de longo prazo.
Com certeza as empresas melhor sucedidas, ao longo do tempo, serão aquelas capazes de manter um time de conselheiros de qualidade!