Ajustes na Economia Brasileira sendo anunciados. Quem paga a conta?

Todas as pessoas bem informadas sobre a situação das contas do Governo, ou dos Governos, incluindo os gestores empresariais sabiam que fosse qual fosse o novo Presidente da República ajustes seriam necessários para assegurar um futuro de crescimento mais ordenado e consistente da economia Brasileira. Não há dúvida então sobre o esforço da equipe econômica liderada por Joaquim Levy e tudo o que tem sido anunciado até agora são iniciativas que tentam colocar nos trilhos a economia nacional no médio prazo.

De fato não é possível imaginar saídas da situação difícil em que nos encontramos sem dor afinal foram os últimos quatro anos marcados por ações e medidas de voluntarismo que comprometeram as contas do Tesouro até em função da continuidade de gastos sem fim e irrealismo nas tarifas de alguns serviços públicos e preços dos combustíveis! Era preciso dar um basta ao crescente desequilíbrio financeiro do Estado.

A questão está em: “Quem vai pagar a conta?”

Pelo que foi anunciado até agora os segmentos da sociedade mais afetados serão a classe média, os trabalhadores e o setor produtivo. Pode se esperar crescimento negativo do PIB no ano de 2015. Não vejo outro cenário, pois as empresas não estarão motivadas a investir devido ao impacto negativo que terão na geração de caixa devido ao aumento dos impostos; do custo da energia; da persistência da inflação; do custo da folha de pagamento num momento de fraca demanda por bens e serviços.

O ano de 2015 será marcado por fraca produção industrial e pelo aumento do desemprego. Pode escrever!

Ontem (27/02) foram anunciados: a) diminuição substantiva da desoneração da folha de pagamento e b) redução do estímulo às empresas exportadoras via menor crédito de impostos via Reintegra. Essas medidas, embora o Ministro tenha dito que não haviam contribuído para o emprego como originalmente esperado, na verdade foram benéficas para diminuir a falta de competitividade da indústria brasileira e, podem ter certeza, também contribuíram para a manutenção dos quadros de pessoas.  De outro modo mais demissões teriam ocorrido e em volume bem maior!

Essas são as medidas anunciadas até aqui e que prejudicam o setor produtivo:

  • As empresas que têm certa dependência de bens importados foram sacrificadas pelo aumento das alíquotas de PIS/COFINS de 9.25% para 11.75%;
  • O setor de cosméticos foi penalizado com novo patamar da taxa do IPI o que deve encarecer o produto na ponta inibindo a demanda;
  • Os veículos novos ficaram mais caros devido ao retorno das alíquotas IPI usuais. Acredito que a produção do setor deve cair entre 5% e 10% nesse ano depois da queda já registrada em 2014;
  • Da desoneração da folha já falei. É provável que muitas empresas façam a opção de recolhimento da cota patronal causando mais gastos;
  • O Governo Federal, importante fomentador de obras, irá diminuir o ímpeto dos investimentos;
  • A conta de energia elétrica ficará mais salgada.

Além disso, o atual nível da taxa de câmbio aumentará o custo de financiamento em moeda estrangeira sem compensação para aquelas empresas que não fazem operações de “hedge” ou trará mais gasto caso queiram se proteger.

Para agravar todo executivo de empresa sabe da dificuldade de repasse ao preço de venda de qualquer elevação de custo e despesa no atual cenário de intensa competição nos mercados. O jeito será o ajuste do quadro de pessoas e postergação de investimentos com impacto negativo no PIB.

A produção nacional também será afetada em 2015 devido à queda de demanda porque as famílias terão de arcar com inflação gerada pelo novo nível do preço dos combustíveis e da energia elétrica além da insegurança provocada por eventual perda de postos de trabalho.

Por fim tenho dúvida no acerto das contas do Tesouro ao final de 2015 cuja meta é um superávit de 1,2% sobre o PIB devido ao fato de que a arrecadação de impostos cairá em função do crescimento negativo da economia.

Claro que torço pelo sucesso da equipe econômica até porque não há saída sem dor, mas a eficácia das medidas precisa ser comprovada ao longo desse ano de 2015 para que o próximo – 2016 – comece a mostrar recuperação no nível da produção e emprego.

 

 

 

 

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