Gestão de risco e a execução da Estratégia

O desenho da estratégia do negócio consome tempo e energia dos gestores para definição dos objetivos a serem perseguidos no longo prazo os quais na maior parte das vezes visualizam desempenho financeiro superior; crescimento sustentado e perenidade do negócio. É isso, não é?

A fase imediatamente posterior é o desmembramento da estratégia em planos de ação indicando como chegar, em que prazo, quem serão os responsáveis pela execução e ainda estabelecendo os processos de monitoramento ao longo do tempo. Parece então que tudo vai acontecer como pensado, porém na realidade há muitos casos de fracasso.

Nem sempre a execução é bem sucedida o que pode ocorrer por pobre gestão, falta de conhecimento e preparo dos times responsáveis ou ainda devido a interferências externas não previstas ou planejadas pela empresa. Aqui cabe a abordagem da gestão de risco.

O tema da Gestão de Risco tem sido fortemente endereçado pelos organismos disseminadores da boa prática da Governança Corporativa ao redor do mundo e a própria CVM exige que as empresas brasileiras citem no formulário de referência quais são os riscos identificados no segmento em que seus negócios estão posicionados.

À Diretoria Executiva do negócio e ao Conselho de Administração, nos casos aplicáveis, cabe fazer um estudo aprofundado de identificação das ditas interferências externas estipulando o potencial de impacto sobre os resultados na execução da estratégia a fim de mitigar riscos evitando que o resultado final seja comprometido. É aí também que se dá a definição por parte dos gestores do tal de “apetite” à risco calibrada com a criação de valor desejada.

Os estudiosos de gestão de risco sugerem os seguintes passos nessa atividade: a) identificação dos eventos; b) avaliação dos riscos indicando probabilidade de ocorrência e, sempre que possível, o impacto em valores financeiros; c) respostas que deverão ser dadas em caso de o evento acontecer – isso dependerá do nível estabelecido de apetite ao risco-; d) estabelecimento de atividades de controle para assegurar que respostas sejam executadas eficazmente.

Você pode perguntar: mas afinal de que riscos nós estamos falando? Os especialistas classificam em três naturezas: 1) estratégicos; 2) operacionais e 3) financeiros.

Alguns exemplos de riscos são:

  • Risco de mudança no ambiente regulatório – mudança de leis e de programas governamentais, mudanças tributárias. Um exemplo claro aqui é a recente modificação do Governo no programa FIES que afeta as empresas enquadradas na indústria de educação;
  • Risco de mudança no ambiente tecnológico – perda de mercado por falta de inovação tecnológica ou porque a concorrência evoluiu mais rapidamente. A Kodak, por exemplo, que não vislumbrou a explosão das máquinas digitais…;
  • Risco de mudança no ambiente competitivo: novos concorrentes; guerra de preços;
  • Risco de modificação do hábito de consumidores: a diminuição da população fumante talvez seja um exemplo;
  • Risco de terceirização e parcerias: a fragilidade financeira de fornecedores, por exemplo, que interrompam o fluxo de fornecimento à fábrica;
  • Risco de sistemas: por exemplo, ação de “hackers” no sistema de informações da companhia;
  • Risco de falta de mão de obra;
  • Risco ambiental: o grande desastre causado pelo vazamento de óleo na plataforma Deepwater Horizon da British Petroleum é bem emblemático, certo?;
  • Risco de crédito: aumento inesperado de inadimplência de Clientes. Aqui vale destacar a profunda crise estabelecida nos Estados Unidos da América com impacto em todo o Mundo referente às operações de crédito subprime causando falência do Lehman Brothers – quarto maior Banco de Investimentos – e perdas consideráveis ao Bank of America e Citibank entre outros;
  • Riscos de mercado: variação do câmbio; aumento das taxas de juros; preço de commodities.

É bom esclarecer que o risco está presente tanto na atividade de negócios como em nossa vida profissional e pessoal e também que este pode gerar perdas ao mesmo tempo em que é possível explorar ótimas oportunidades com algum risco.

Fazer negócios implica em risco!

O risco, portanto é parte integrante da atividade empresarial cabendo aos gestores estabelecerem claramente o nível de risco alinhado com a estratégia assim como definirem que ações devem ser tomadas – se alguma – para mitiga-los ou simplesmente evita-los.

 

Deixe um comentário

Posts Recentes