Gestor Financeiro: a dificuldade para arranjar recursos que viabilizem investimentos de longo prazo

A boa execução dos planos estratégicos de longo prazo das Companhias estabelecidas no Brasil diferentemente de outras regiões do Mundo enfrenta o grande desafio da escassez de capital.

A taxa de poupança baixa comparativamente aos países mais desenvolvidos; o ambiente inflacionário assim como a dívida interna elevada sempre “repactuada” com altas taxas de juros são alguns dos fatores mais importantes que inibem o Sistema Financeiro de oferecer linhas de crédito para empreendimentos carentes de recurso para expansão seja por aquisição de outros negócios ou então com investimento na ampliação do parque industrial ou ainda lançamento de novos produtos com avançada tecnologia.

De fato em grande parte os recursos oferecidos pelos Bancos privados destinam-se a necessidades de curto-prazo (capital de giro) forçando o Gestor Financeiro buscar outras fontes e que muitas vezes além do custo mais alto (juros) trazem outros riscos como, por exemplo, a variação do valor da moeda local (câmbio). Por outro lado o acesso ao mercado brasileiro de ações ainda é um processo trabalhoso e burocrático sujeito ao apetite dos investidores o qual marcadamente em 2013 registrou modestos R$ 18 bilhões em ofertas públicas.

Em meu julgamento a situação do financiamento de longo prazo é ainda mais desafiante para o Gestor da pequena e média empresa nacional até porque as maiores Companhias podem buscar recursos com o lançamento de bônus no mercado externo ou lançamento de ações na Bolsa de Nova York, por exemplo.

Há algumas décadas atrás o famoso articulista de Economia Joelmir Betting citava que a empresa Multinacional recebe aporte da Matriz ao aprovar internamente seu projeto; a Companhia Estatal se socorre dos recursos do Tesouro (hoje não é bem assim…) cabendo toda a dificuldade para pequena e média empresa de capital nacional conseguir os fundos de que necessita para crescer. Será que isso mudou? Claro que temos por aí os fundos de Private Equity, mas e se o dono do negócio não tiver interesse em compartilhar a gestão? Como fica?

O BNDES, criado no início dos anos 1950, se propõe a cobrir parte dessa falta de linhas de crédito para longo prazo. É verdade que essa missão foi parcialmente desvirtuada em tempos recentes devido à destinação de volumosos empréstimos a empresas brasileiras de grande porte para promover a expansão dos negócios inclusive no Exterior. De todo modo o Banco tem sim um papel relevante no financiamento das pequenas e médias Companhias nacionais.

Para o ano que vem notícias mais recentes na mídia indicam que o necessário ajuste das contas do Governo exigirá que o Tesouro destine menos recursos ao BNDES e isso vai diminuir a acessibilidade às linhas de crédito do Banco. Além disso, a taxa de juros (TJLP) cobrada pelo Banco que hoje é de 5% ao ano, portanto bastante atrativa ao investimento e assim tem que ser, deverá sofrer ajuste para cima.

Em resumo no ano que vem além de crédito mais escasso em Banco de fomento como o BNDES ficará mais caro para as empresas nacionais a obtenção de tais recursos e esse cenário, com certeza, inibirá o investimento em capital fixo afetando não só o crescimento do país como também a competitividade das empresas e a atualização tecnológica do parque industrial Brasileiro.

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