Financiando e estimulando a Inovação e o Empreendedorismo

Há evidências em todo o Mundo sobre a importância da inovação para o desenvolvimento econômico e social de uma sociedade. Isso é demonstrado desde muito tempo sendo a Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra na metade do século XVIII um marco na era contemporânea. Os exemplos mais representativos do progresso social advindo da inovação nos últimos 65 anos incluem países como Japão e Coréia. Nos Estados Unidos da América o quadro mais fiel do fenômeno da inovação é retratado pelas descobertas acontecidas nas “garagens” das residências.

Em nosso país existe muita discussão sobre a necessidade de criarmos um ciclo virtuoso de inovação a fim de alcançarmos um novo patamar de desenvolvimento econômico/social com geração de emprego e renda. Na realidade o que observamos é um longo caminho a ser percorrido, pois segundo pesquisas recentemente divulgadas não aparecemos na lista dos 25 países mais inovadores do globo, embora nosso PIB corresponda à sétima economia mundial. Temos muito chão pela frente!

Falta espírito empreendedor? Acho que não! Falta capacidade intelectual e mão de obra qualificada? Talvez não as tenhamos em abundância como em outros lugares, porém acredito que sim temos gente capaz.

Qual seria então o caminho para termos sucesso em inovação e empreendedorismo no território brasileiro?

O tema é muito amplo e mereceria páginas e páginas para discuti-lo em detalhes inclusive recorrendo a experiências bem sucedidas em outros países. Vou me ater então nesse texto a dois pontos que entendo já contribuem para o debate:

  1. Ambiente de negócios

Muitos são os desafios enfrentados pelos empresários ou “candidatos a empresários” em nosso país a começar pelo complicado ambiente administrativo burocrático como as implicações legais, trabalhistas e fiscais. O emaranhado de leis e regulamentos além da insegurança jurídica dos contratos dificultam e inibem o surgimento de uma classe empresarial determinada e focada em inovação. Tudo isso sem falar no impacto negativo quanto à competitividade dos negócios decorrente da burocracia e da elevada carga tributária.

Aqui a tal de “desburocratização”, muito comentada desde o regime militar quando Hélio Beltrão foi nomeado Ministro específico para área em 1979, ainda não aconteceu!!

  1. b) Fontes de financiamento

Em dezembro do ano passado publiquei um texto nessa seção de “Finanças” expondo a dificuldade que, sobretudo as pequenas e médias empresas nacionais têm para obter recursos financeiros para financiar seus projetos de longo prazo: “Gestor Financeiro: a dificuldade para arranjar recursos que viabilizem investimentos de longo prazo”.

Qual é a situação de financiamento ao empreendedor que tem uma ideia na cabeça ou está começando seu negócio?

Em recente discussão que mantive com especialistas na área de empresas “Startups”, por exemplo, houve muita queixa sobre a escassez de fundos para que os empreendedores possam seguir adiante com suas ideias e planos de negócio. Claro está que esse tipo de indústria pode ser financiado através de investimentos realizados por Fundos Private Equity; investidores “anjo” ou fundos de participação. Por outro lado o apoio financeiro do Estado (Governo Federal e Governos Estaduais) é muito tímido ou praticamente inexistente se levarmos em conta a demanda exigida.

Na instância Federal um ponto de apoio ao empreendedor nascente pode ser o FINEP (Fundo de Financiamento de Estudos de Projetos e Programas) que criado em 1967 faz parte do Ministério da Ciência e Tecnologia. O mais recente Presidente empossado do FINEP – Luís Fernandes – que já teve passagem por lá – chega com um discurso de apoio a Pesquisa & Desenvolvimento sendo o fundo FIP Inova Empresa citado para ter foco em médias e grandes empresas dos setores: aeroespacial; tecnologia da informação e agronegócios. E o pequeno empreendedor, como fica?

A Desenvolve SP é uma agência de fomento criada pelo Governo do Estado em 2009 com o objetivo de dar apoio à pequena e média empresa. Segundo notícias em jornal os cinco fundos de participação da Desenvolve SP, entre eles o Inovação Paulista, teriam no total investido no ano passado cerca de 500 milhões de reais em diversos empreendimentos. Não parece muito!!

Para darmos passos adiante e nos tornarmos uma nação desenvolvida é necessário facilitar o florescimento de ideias inovadoras e estimular o espirito empreendedor dos brasileiros com melhor educação, ambiente de negócios mais amigável e, sobretudo fontes de financiamento de fácil através acesso e certa abundância.

 

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