Muitos dos jovens que encaram a carreira executiva têm a ambição de um dia tornarem-se o comandante mor de uma empresa e disputam arduamente o direito de ocuparem o escritório ou a sala da esquina, ou como se diz em Inglês, o “corner office”. Não é fácil chegar lá, pois a oportunidade é para poucos.
O que move esses profissionais? Claro que a renda é um fator importante, mas o status ou reconhecimento social e o desafio de ter de lidar com questões estratégicas importantes além da necessidade de liderar equipes num contexto mais complexo também estimulam o profissional a buscar preparação e espaço político dentro da organização chegando enfim ao posto de Presidente, Gerente Geral, Diretor Geral ou CEO.
Ser o número um do negócio ou empreendimento de fato permite vivenciar experiências muito interessantes e no atual ambiente empresarial a complexidade da função é bem maior do que no passado devido principalmente à dinâmica dos mercados, exigência “neurótica” por resultados financeiros e os desafios inerentes impostos por uma sociedade mais participativa e que exige atenção às diversas partes interessadas além dos acionistas, como: empregados, clientes, fornecedores, governo e de questões ligadas ao meio ambiente e sustentabilidade.
Devido a todos esses pontos o profissional que chega a função de comandante mor da empresa deve estar muito bem preparado e atuar de modo a entregar resultados consistentes e que promovam a perpetuidade dos negócios.
Há uma questão, no entanto, que julgo da maior relevância para o ocupante do “corner office”: como lidar com as pessoas e obter resultados por intermédio de times de alto desempenho? É a chave do sucesso, afinal seria muita arrogância imaginar que o desempenho excepcional, por exemplo, da GE durante a presença de Jack Welch por lá, de Steve Jobs na Apple e ainda o da Sony com Akio Morita fosse resultado só do trabalho deles. Com certeza não!
Lidar com pessoas significa ouvi-las; estimula-las a aprenderem e se desenvolverem; criar ambiente de transparência no relacionamento; prover feedback frequente sobre desempenho; dar a elas chances de crescimento e exposição a situações que exijam sempre mais. Por outro lado o executivo principal deve buscar cercar-se de profissionais capacitados, realmente comprometidos com o negócio e éticos.
Há algum tempo atrás ouvi de um amigo Presidente de empresa relato de que tinha “uma vida tranquila” na função, afinal disse ele: “meus comandados só trazem a mim problemas que realmente não conseguem resolver entre si depois de muito debate”. Isso demonstra, em minha visão, um time maduro e comprometido que tinha espaço para um relacionamento sadio e franco.
Por falar em relacionamento sadio gostaria finalmente de manifestar a importância de os liderados se sentirem suficientemente livres para levar ao “primeiro homem” não só as boas notícias como também as más. O comandante mor precisa saber o que de fato ocorre no negócio para assim dar sua contribuição e apoio para superar os desafios junto com o time.