Uma ideia revolucionária no transporte de carga completa agora cinquenta anos! Trata-se da “invenção” do container pelo Norte Americano Malcom McLean que trouxe enorme racionalidade na movimentação de bens e produtos mundo afora, mas e depois disso?
Ainda há muito desperdício a ser eliminado na gestão dos negócios quando o tema é a logística e o manuseio de cargas. Tanto internamente, nos armazéns e depósitos das empresas, como na transferência e movimento de produtos entre fornecedores e clientes. Essa situação é mais penosa ainda para a competitividade das empresas brasileiras quando consideramos a carência de investimentos em infraestrutura em um território que é o quinto maior em extensão no globo; a modesta aplicação de tecnologia de informação na transmissão de dados e informações; e ainda sistemas de armazenagem rudimentares no interior das firmas.
O Banco Mundial iniciou estudos em 2010 e os atualiza da cada dois anos medindo a situação dos países – ranking – com metodologia bem desenvolvida e relativamente profunda. O último desses relatórios foi publicado nesse ano de 2016. Lá estão listados 160 (cento e sessenta) países.
O país melhor colocado, pela terceira pesquisa consecutiva, é a Alemanha. Outros países europeus e que tem extensão territorial modesta também estão entre os primeiros lugares. Os Estados Unidos da América, cujo território é o terceiro maior do mundo ficou situado em décimo lugar. Imagino que quanto maior o tamanho do país e a dispersão de seus habitantes tão mais crítica é a questão da logística, certo?
Na pesquisa do Banco Mundial o Brasil ficou em 55º. lugar. Isso mesmo! Entre 160 países ficamos atrás de outros 54!!! Estão à nossa frente: Canadá (14º); Austrália (19º.) e China (27º.), para falar dos de maior extensão geográfica. E outra surpresa: a Índia foi classificada na 35ª. posição! Na América Latina ficamos atrás de Chile (46º.) e México (54º.).
Não resta dúvida, portanto, que a logística e a movimentação de carga no Brasil são ineficazes e provocam gastos desnecessários e ineficiência no jeito como fazemos negócio afetando a competitividade da empresa nacional.
Ao longo de décadas desenvolvemos no Brasil o modal de transporte da produção nacional com a utilização intensa do meio rodoviário e hoje este representa mais de 60% de toda carga movimentada. Na malha ferroviária é transportada 21% do total graças à importância da exportação do minério de ferro, sem dúvida. Já o modal aquaviário/dutoviário registra aproximadamente 18% do total transportado.
Não tive acesso a dados sobre a capacidade utilizada no transporte rodoviário brasileiro versus a frota existente, mas quero acreditar que a ociosidade é enorme, pois nos Estados Unidos da América publicação recente que li mencionava tão somente 60% das carretas, na média, ficam totalmente carregadas durante o transporte. Isso significa imenso desperdício acarretando ineficiência e fretes mais caros. Não é diferente no Brasil, tenha certeza! Situação até mais agravada porque algumas regiões do país “importam” mais do que “exportam” ou vendem para outros lugares, como por exemplo, o Nordeste brasileiro fazendo com que o caminhão carregado que leve material produzido no Sul e Sudeste retorne ao ponto de origem vazio ou à meia carga, se muito.
Nessa questão do transporte interno de materiais, via rodoviária, o que ajudaria na racionalização dos fretes seria a adoção de aplicativos para busca de oportunidades para carregamento de carga dos veículos que estão em trânsito. E isso já existe e com o tempo será uma ferramenta preciosa principalmente para os transportadores autônomos. Vai ajudar!! Outro ponto é a abertura de centros de distribuição estrategicamente espalhados no país permitindo a transferência racional da produção desde a fábrica para mais perto do mercado consumidor. Muitas empresas tem feito isso e com relativo sucesso.
Ainda quanto aos centros de distribuição alguns especialistas entendem que há possibilidade de compartilhar espaços e com isso mais de um fabricante ou distribuidor de produtos ocupariam mesmo galpão e/ou depósito diminuindo dos custos de operação. Faz sentido?
Na última década, no Brasil, algumas empresas se instalaram e agora oferecem serviço de armazenagem da produção de um fabricante para posterior faturamento e entrega ao comprador ou cliente. Isso era algo inimaginável há trinta anos, por exemplo, quando as fábricas eram totalmente verticalizadas. Sem dúvida se trata de boa alternativa e que auxilia o fabricante a dedicar mais foco ao seu negócio ao invés de gastar energia internamente manuseando, guardando e/ou acumulando material que ocupa espaço nobre no galpão industrial.
No início dos anos 2000, em uma empresa que trabalhava, a liderança tomou a iniciativa de estudar e acabou por implantar a terceirização de toda a logística interna. Deu excelente resultado contratando uma firma especializada e com profissionais capacitados além de equipamentos próprios e bem mantidos que cuidava da retirada do material fabricado nas células de produção, identificação, armazenamento e posterior despacho para o cliente final.
Quando a questão é logística, como vimos, há muita oportunidade para eliminação de desperdícios tornando os negócios mais competitivos. Isso advém de uma mistura de, entre outras, das seguintes iniciativas:
- Empenho governamental e das entidades de classe empresariais para modificar o modal de transportes brasileiro;
- Adoção de novas práticas para racionalização no transporte de cargas com uso de aplicativos e mais “internet das coisas”;
- Proximidade física do ponto de entrega (depósitos/centros de distribuição intermediários);
- Redefinição das atividades internas do fabricante transferindo a terceiros especializados o manuseio e a armazenagem de materiais/produtos.
Pense nisso!