NEWSLETTER SENHOR GESTÃO - MARÇO 2021


INFLAÇÃO                                            
(12 MESES)
 

IPCA (IBGE)                       2021       2020       2019     
(janeiro 2020)                      4,56%        4,16%        3,78%


IGP-M (FGV)                      2021       2020       2019
(fevereiro 2021)
                   28,94%        6,82%         7,60%
                    
Senhor Gestão:

IPCA - O principal índice de preços brasileiro (IPCA) cravou aumento de 0,25% em janeiro/2021. Se tratou do menor % mensal desde agosto do ano passado.
Na série acumulada de doze meses o montante ficou em 4,56%.
O IPCA-15 de fevereiro, que usualmente é bom indicador do número final de IPCA para o mês, foi de 0,48%. Isso quer dizer que, se confirmado, o IPCA acumulado de doze meses saltará para 4,8%. Trata-se simplesmente de "carry-over".
O que esperar daqui por diante?
É muito provável que a evolução mensal dos preços, medida pelo IPCA, volte a apresentar algo entre 0,2 e 0,4% ao longo dos meses à frente, a depender inclusive de reajustes de preços de combustíveis e do comportamento da taxa de câmbio com efeitos colaterais em preços de itens manufaturados.
O mais recente boletim Focus do Banco Central ajustou, uma vez mais, a previsão deste indicador para o final de 2021. Há um mês o número era 3,53% e agora se prevê 3,87%.
Sim, a inflação interna brasileira desgarrou no ano passado. Um olhar mais atento a outras economias no mundo mostra inflação mais alta no final de 2021 depois de os preços mostrarem queda no período de março a agosto. Assim foi no México e também na Turquia.
Na Rússia a elevação ocorreu ao longo de todo ano passado. A exceção se restringe aos EUA, nos países selecionados no gráfico abaixo, os quais conseguiram um comportamento mais estável dos preços.
É bom, no entanto, dizer que lá também neste início de ano os preços de combustíveis vêm afetando a inflação como retrata a seguinte manchete do site Market Watch: "Consumer inflation climbs at fastest pace in five months, CPI show, mostly due to cost of oil"


O gráfico:





IGP-M - O índice IGPM mensal para fevereiro/2021 atingiu 2,53%...exageradamente alto, porém é bom dizer que se trata do menor % desde julho/2020, excetuando o mês de dezembro/2020.
A série histórica acumulada de doze meses subiu a 28,94% - doze meses em janeiro/2021 foi de 25,71%. Preparado pela FGV o IGPM tem sido uma tremenda dor de cabeça desde o segundo semestre de 2020 para a economia brasileira, afinal tal índice é muito utilizado em contratos de serviços, telefonia, planos de saúde e aluguéis, por exemplo.
O grande agente motivador do comportamento "escandaloso" do IGPM reside  nos preços que compõe o IPA - Índice de Preços ao Produtor Amplo. Não há como negar.
O IGPM em série acumulada de doze meses, no mês de fevereiro/2021 bateu em 28.94%, como já dito anteriormente, enquanto o IPA soma 40,11% no mesmo período.
Onde vai parar?
É difícil prever, pois há distorções muito grandes no mercado entre oferta, demanda, preços internacionais de commodities e de sobra a taxa cambial com o Real muito desvalorizado e sem dar mostras de recuo...






 
TAXA DE CÂMBIO                                    
(VENDA PTAX US$ FINAL DE FEVEREIRO)




R$/US$1.00                          2021        2020        2019                                                      
                                               5,53            4,50            3,74


Senhor Gestão:
A paridade R$/US$ neste início de ano não é nada alentador. Depois de alguma valorização do Real nos meses de novembro e dezembro/2020 nos primeiros dois meses de 2021 a taxa de venda PTAX do Bacen foi de R$5,48/US1.00 em final de janeiro e R$5,53 em fevereiro. 
A pressão sobre o Real se mantém ao sabor de cenários externos e, sobretudo, dos internos. Dúvidas quanto o "buraco" fiscal decorrente da pandemia, a recuperação da economia em passos mais curtos, os ruídos de comunicação em mídia e o cenário externo de alguma forma tem impedido a definição clara e "justa" do valor da moeda nacional. Bom para o setor exportador o atual patamar acima de R$5,50/US1.00 prejudica aos importadores e aos custos em geral com efeito danoso nos preços internos (inflação). O boletim Focus do Banco Central ainda aposta que 2021 termine com taxa de câmbio abaixo da registrada em dezembro/2020 (esta foi R$5,20/US$1.00).
A previsão mais recente indica R$5,10/US$1.00.
A conferir!
 

Gráfico abaixo (linha de tendência logarítmica):



 


JUROS PESSOA JURÍDICA
Senhor Gestão:
Pelo segundo mês consecutivo a pesquisa de juros da Anefac identifica aumento nas taxas de juros para operações de curto prazo (capital de giro, desconto de duplicatas e conta garantida) - para referir à de dezembro/2020 leia a Newsletter de fevereiro.
As taxas médias ainda estão em nível razoável (o dinheiro emprestado de bancos por PJ não está caro), porém há indicativos de ajuste ao longo dos próximos meses.
De um lado a indicação pelo boletim Focus do Bacen apontando para taxa Selic de até 4% em dezembro. Por outro a recente iniciativa do governo federal em majorar a taxa de Contribuição Social (IR) dos bancos afim de cobrir gastos extraordinários com a reabertura do auxílio emergencial, necessariamente elevará os juros na ponta.


Tabela comparativa de taxas de juros - operações de curto prazo - segundo pesquisa mensal  da Anefac em janeiro de cada ano: 


 

MERCADO DE TRABALHO

1) PNAD - IBGE
(PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Médias anuais)

 
Senhor Gestão:
E o mercado de trabalho, hein?
Os números da PNAD do IBGE computados até dezembro/2020 indicam com clareza o "estrago" causado pela pandemia da Covid 19 na economia nacional e que veio a afetar, e muito, a empregabilidade das pessoas.
Na média a taxa de desocupação no ano ficou em 13,5% comparativamente a 11,9% no ano de 2019. Como sabemos o país vinha, aos poucos, recuperando postos de trabalho de tal modo que seria possível prever algo abaixo de 10% no prazo de dois anos (2021). Bem...aí veio a pandemia da Covid 19 com todas as restrições de mobilidade e relacionamento social interrompendo trabalhos e negócios na indústria, no comércio e no setor de serviços.
A mão de obra ocupada no trimestre outubro/dezembro/2020, segundo o IBGE é estimada em 86,2 milhões de pessoas enquanto no trimestre anterior -julho/setembro fora de 82,5 milhões. À primeira vista os dados indicam ótima recuperação ocorre que há um ano trimestre outubro/dezembro 2019 eram 94,6 milhões as pessoas ocupadas.

Outro ponto relevante é que muita gente veio a compor a força de trabalho total nos últimos anos e parece claro que parte ainda está sem ocupação ou nem procura por ela.
Resumindo: a) o número de pessoas desocupadas aumentou (a taxa de desemprego subiu como dito acima); b) muita gente não busca por ocupação e desse modo não entra na estatística de força de trabalho desocupada, e mais gente jovem começa a participar da força de trabalho total (potencial).
Abaixo segue gráfico mostrando a evolução média de 2017, 2018, 2019 e 2020 na força de trabalho total (pessoas em idade de trabalhar), na força de trabalho (ocupada e desocupada) e a mão de obra verdadeiramente ocupada.




Ainda considerando a média anual dos anos de 2017 a 2020 segue gráfico identificando as pessoas ocupadas (em milhões) com três das naturezas de ocupação, a saber: empregado com e sem carteira, trabalhadores que atuam por conta própria, trabalhador familiar auxiliar e empregador.
Em primeiro lugar observe que nas três categorias houve recuperação de ocupações ano após ano sendo, que somadas, a mais expressiva se deu no ano de 2019 (+1,7 milhão de postos de trabalho reconquistados).
Por outro lado a crise alastrada pelo ambiente de pandemia e as ações de isolamento social, além da incerteza sobre a retomada das atividades afetou a todos, com cortes expressivos de postos de trabalho no ano de 2020.
Em valores absolutos a maior perda se deu no grupo de empregados (com e sem carteira assinada) com corte de 5,3 milhões de trabalhadores (-8,5%). Já no grupo de empregadores a queda foi de 9,1% representando cerca de 400 mil posições.



Finalmente o Senhor Gestão fatia os empregados por setor: privado, público e doméstico. Houve diminuição de postos de trabalho conquistados em anos anteriores em todos eles, exceto no setor público.
Lá não há crise, não é?
Na verdade embora estagnado no período de 2017 a 2019, em 2020 houve elevação de 400 mil postos no setor público que penso, atribuídos a maior contingente de pessoas na área de saúde...faria sentido.


ESTADO DOS NEGÓCIOS - FALÊNCIAS DECRETADAS
 
Senhor Gestão:
A Serasa ainda não divulgou dados atualizados em janeiro/2021.
Deste modo não é exibido aqui o gráfico comparativo anual.
A Newsletter de fevereiro mostra dados acumulados, até dezembro, de falências decretadas.

 
 

ESTADO DOS NEGÓCIOS - RECUPERAÇÕES JUDICIAIS DEFERIDAS

 
Senhor Gestão:
A Serasa ainda não divulgou dados atualizados em janeiro/2021.
Deste modo não é exibido aqui o gráfico comparativo anual.
A Newsletter de fevereiro mostra dados acumulados, até dezembro, de RJ's deferidas.

 



 
 
 
     
Senhor Gestão:
O quadro das previsões bem preliminares do Boletim Focus para o ano de 2021 está atualizado com a informação divulgada em 26 de fevereiro.
O grupo Focus tem feito ajustes, como usual, identificando que a inflação (IPCA) não deve cair tanto comparativamente a 2020 (naquele ano foi 4,52%), por exemplo.
A paridade cambial também já não está tão otimista = dezembro;2021 seria agora R$5,10/US$1.00. As primeiras previsões aqui indicavam R$5,00/US$1.00 enquanto o ano passado encerrou em R$5,20/US$1.00.
O PIB...ah o PIB... agora se fala em +3,3%. No final de 2020 o boletim Focus previa +3,4%.
Dá para acreditar?
As recentes iniciativas de governos estaduais, e também municipais, em ações de isolamento social para conter o avanço da Covid 19 vai afetar a produção nacional. Só não se sabe quanto.
MERCADO BRASILEIRO DE AÇÕES

IBOVESPA - PONTOS
(FINAL DO MÊS DE FEVEREIRO)
2021

110.035

2020
104.171

2019

95.584


Senhor Gestão:
A Bolsa de Valores de São Paulo, mais uma vez, trouxe surpresas com volatilidade e desempenho ruim no mês de fevereiro/2021.
A situação em outras bolsas mundo afora foi muito melhor com todas elas recuperando as perdas do mês de janeiro. O índice Ibovespa caiu 4,4% deslocando a perda acumulada do ano para 7,5%. Isso pode e deve ser consertado ao longo dos meses à frente, porém fica difícil acertar a previsão desta tal recuperação das ações negociadas na Bovespa B3.
Tudo vai depender do apetite dos investidores, incluindo os do exterior, e do avanço na agenda do governo federal quanto às privatizações. 




A situação em outras bolsas mundo afora foi muito melhor com todas elas recuperando as perdas do mês de janeiro. 
Observe:



AÇÕES MAIS NEGOCIADAS

SENHOR GESTÃO:
Quadro comparativo de ações selecionadas e que compõe parte (+/-60%) do índice Ibovespa: 
 
FIQUE DE OLHO NAS DATAS - MARÇO 2021
(PUBLICAÇÕES SOBRE INDICADORES E DADOS DA ECONOMIA)

Dia         Publicação

   3          Sistema de Contas Nacionais Trimestrais - IBGE;

   5          Carta da Anfavea;

   5          USA Employment Situation - USA Labor Department;

   5          Pesquisa Mensal da Indústria - IBGE - fevereiro;

   9          Pesquisa Mensal de Serviços - IBGE - fevereiro;

 11          IPCA - IBGE - fevereiro;

 11          Custos e índices da Construção Civil - IBGE - fevereiro;

 11          Safra agrícola - IBGE ;

12           Pesquisa Mensal do Comércio - IBGE - fevereiro;

15           Índice de Atividade Econômica - Banco Central;

16 e 17  Reunião do Copom;

17           Monitor do PIB - FGV IBRE - janeiro;

25          IPCA 15 - IBGE - fevereiro/2021;

25          Sondagem da Construção - FGV IBRE - março;

25          Sondagem do Comércio - FGV IBRE - março;

26          Sondagem da Indústria - FGV IBRE - março;

26          Estatísticas do Setor Externo - Banco Central;

29          Sondagem de Serviços - FGV IBRE - março;

30          IGPM - FGV - março;

30          CAGED - Admissões e Desligamentos - fevereiro;
 
31          PNAD - IBGE - emprego - janeiro;

  



    
EVENTOS  DE NEGÓCIOS e TREINAMENTO (Virtuais) - MARÇO 2021


 
Grandes eventos, feiras e exposições e eventos físicos estão muito limitados neste ano "dedicado" ao enfrentamento da pandemia da Covid 19, no entanto há eventos acontecendo em modo virtual.
Consulte os "sites" para confirmação do evento.
 
Aqui estão alguns deles para o mês de março:


9 e 11/03  - Conaendi & IEV - Congresso de Ensaios e Inspeção - www.conaend.org.br

18/03 das 15 às 17 horas - Aplicações do BIM em obras de infraestrutura - Webinar Sobratema

30/03 - Off-Highway Global Briefing - Webinar - www.offhighwaybriefing.com 






 
 

SUGESTÃO DE LEITURA




Livro: A Era do Capitalismo de Vigilância
Autora: Shoshana Zuboff
Editora: Intrínseca




 
 
 






 
Senhor Gestão:
 
Recém lançado em português esse livro promete.
A autora Shoshana Zuboff é professora na Harvard Business School tem doutorado em psicologia social pela Universidade de Harvard e bacharelado em filosofia pela Universidade de Chicago.
O tema é super atual e veja o que saiu sobre o livro no Financial Times: ""Imperdível Direciona os holofotes para a forma como a era digital está transformando economia, política, sociedade e nossas vidas.""

 

Facebook
LinkedIn
Todos os Direitos Reservados à Senhor Gestão © 2018