Melhorias no local de trabalho, produtividade e as pessoas

É possível obter ganhos de produtividade (fazer mais em menos tempo e/ou com menos pessoas) e diminuir custos a partir de melhorias no local de trabalho ocupado pelas pessoas?

Todos sabem que não é tarefa fácil medir com exatidão ganhos de produtividade de modo geral resultantes de mudanças em processos de trabalho e adoção de novas práticas, mas por certo é mais difícil ainda mensurar as vantagens econômicas advindas de alterações no ambiente físico no qual a pessoa desempenha sua função, certo?

Quando os ajustes são realizados no chão de fábrica, a medição fica mais facilitada, pois ocorre a coleta de dados da produção por hora/homem ou hora/máquina, por exemplo. Porém, quando se trata da atividade administrativa, ou seja, que se dá no ambiente do escritório, os dados disponíveis não são assim tão claros, embora possa ser feita alguma associação com a evolução do quadro de pessoas ao longo do tempo.

Desde o século XVIII, quando se instalou a tal revolução industrial, até os dias de hoje, foram muitas as alterações físicas colocadas em prática pelas empresas no ambiente de trabalho – tanto no ambiente fabril como nos escritórios – , e isso tem se dado por ao menos três fatores principais: a) adoção de novas tecnologias; b) imposição legal para tornar os ambientes mais seguros e menos danosos à saúde do trabalhador; e c) a busca das empresas para melhorar a rentabilidade e a competitividade nos negócios pela utilização de menos recursos de energia, redução do espaço físico ocupado e instalações mais adequadas.

No início da revolução industrial na Inglaterra, havia farta mão de obra, ainda que não qualificada, que migrou dos campos para a vida urbana, dando oportunidade para práticas desumanas nos ambientes de trabalho nos quais as pessoas trabalhavam de 12 a 16 horas por dia, seis dias na semana, e com pífia remuneração. As atividades aconteciam em lugares escuros, confinados, sem ventilação adequada e com o uso de máquinas sem proteção motivando muitos acidentes e inúmeras mortes.

Foram necessárias muitas demandas das classes trabalhadoras forçando as companhias a estudar e desenvolver novas máquinas e processos no chão de fábrica; realizarem exaustivos treinamentos e qualificando a mão de obra o que contribuiu com enorme diminuição nos índices de acidente de trabalho e aumento da produtividade ao longo das décadas entre os séculos XIX e XX (*). Todos lucraram com isso: os trabalhadores e os empresários.

Segundo registros do Departamento do Trabalho nos Estados Unidos, neste país as mortes por acidente do trabalho eram de 61/100.000 trabalhadores em 1913, passaram para 37/100.000 em 1933, e em 2010 o índice foi de 3,5/100.000 (incluindo dados da indústria da construção civil). Não há como negar o progresso alcançado ao longo do tempo.

O avanço tecnológico nos parques fabris tem reduzido e muito os riscos para os operários, e isso traz benefícios, como menor número de dias de afastamento e diminuição do absenteísmo, ou seja, tem contribuído para com ganhos de produtividade, por certo.

É preciso destacar também novas ferramentas de gestão, como a metodologia 5S, desenvolvida na indústria japonesa e disseminada para outras regiões, que busca estabelecer um processo de organização dividido em cinco fases, com reais ganhos e eliminação de desperdício.

E o que dizer sobre mudanças no ambiente de trabalho dos funcionários que trabalham nas áreas administrativas? Aqui também houve muitos avanços, de diversas naturezas, que têm contribuído para a diminuição de custo da empresa enquanto tornam o local mais agradável ajudando na produtividade das pessoas e no clima organizacional.

Nos Estados Unidos, os escritórios, já na década de 1930, se tornaram mais amplos, e na década seguinte (1940) foram adotados ar condicionado e luz fluorescente. Os espaços ficaram, ao longo do tempo, mais flexíveis, permitindo maior interação entre as pessoas e facilitando a comunicação e o fluxo de trabalho.

Hoje chegamos àqueles ambientes bem à vontade, como os implantados em empresas como Google, Tesla, Yahoo e outras localizadas no Vale do Silício, e que encontraram enorme receptividade junto às novas gerações.  Essa ambientação mais moderna pode contribuir, segundo alguns estudos, inclusive para a retenção da geração Y e da Z.

O avanço da tecnologia da informação abriu oportunidades para mudanças importantes no “mundo dos escritórios”, favorecendo: a) melhor qualidade de vida das pessoas; b) mobilidade nos grandes centros urbanos; e c) diminuição da necessidade de investimentos em espaço corporativo. Qual seria o condutor desses três pontos citados? É o tal do home office ou tele trabalho.

Quanto a outras maneiras de obter maior produtividade nos escritórios, têm sido difundidas:

  • Melhor qualidade do ar e refrigeração gerariam aumento de até 60% na produtividade, segundo estudos de professores de Harvard e da Syracuse University;
  • A adoção de mais de um monitor de computador/desktop para o funcionário traria real ganho de produtividade;
  • A atualização frequente da tecnologia de informação em uso na empresa poderia economizar até quatro semanas/ano de um usuário;
  • Uso de dispositivos que favoreceriam postura ergonomicamente correta.

Pode ser difícil medir os tais ganhos de produtividade, mas é preciso reconhecer que as mudanças realizadas nos ambientes fabris e de áreas administrativas (escritórios) desde o século XVIII têm sido profundas, melhorando a qualidade de vida do trabalhador, tornando-o mais motivado a desempenhar melhor. De outro lado, as empresas com maior crescimento e rentabilidade consistentes estão atentas às oportunidades de obtenção de ganhos resultantes da modernização do chão de fábrica e dos escritórios. Tenha certeza.

Pense nisso!

Revisão de texto: Virgínia De Biase Vicari

(*) o famoso filme de Charles Chaplin de 1936 – Tempos Modernos – expôs com clareza o drama do operário principalmente na primeira metade do século passado.

 

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