Geração de emprego e renda; a realidade dos números no Brasil

A grave crise econômica que se instalou no Brasil ainda no segundo semestre de 2014 não dá sinais de recuperação consistente no curto prazo como muitos imaginaram com a simples mudança de comando do Governo Federal passadas as eleições de 2018.

Na verdade números mais recentes sobre a evolução do PIB publicados no boletim do grupo Focus do Banco Central do Brasil indicam crescimento de 1% no geral, enquanto a indústria cresceria modestos 0,47%. Estas previsões são do dia 7 de Junho.

De fato só para nivelar a produção nacional (PIB) à registrada em 2013 o país teria de crescer em 2019 4,32%. Em outras palavras até 2018 a economia havia encolhido, acumuladamente, 4,1% no período de cinco anos! Situação muitíssimo complicada que temos vivido desde então.

Só para relembrar assim se comportou o PIB ano a ano: 2014 +0,5%; 2015 -3,5%; 2016 -3,3%; 2017 +1,1% e 2018 +1.1%.

Abaixo segue quadro indicativo do desempenho da economia por setor de atividade considerando o ano de 2013 como base 100.

Como você pode observar exceto o setor do agronegócio que cumulativamente cresceu 13,4% versus 2013, apesar da “escorregada” em 2016, tivemos: serviços 2,3% abaixo daquele ano, a indústria diminuiu 11,4% e a construção civil catastróficos 27,7%. Tudo isso resultou na elevação substancial da taxa de desemprego, sem a mínima dúvida.

Para complicar ainda mais a situação em nosso país nos últimos anos, conforme dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), quase 7,5 milhões de brasileiros com idade superior a 14 anos foram adicionados ao conceito de “força de trabalho”, quando comparamos o trimestre Janeiro/Março 2019 versus 2014.

E o que compõe a força de trabalho? Segundo a metodologia do IBGE este contingente engloba aquelas pessoas que estão interessadas em ocupar uma vaga, seja como empregado do setor privado, do público ou empreendendo com seu próprio negócio.

Resultado? A taxa de desemprego subiu. O IBGE estima que o 7,1% da força de trabalho desocupada em 2014 saltou para 12,7%. É verdade que há um decréscimo em relação ao pico de desempregados (13,7% em 2017), mas infelizmente ainda temos dois dígitos de pessoas nesta condição.

Já o total de pessoas ocupadas foi de 90,8 milhões em Jan/Mar 2014 para 91,9 milhões em Jan/Mar 2019. Sim! Foram criadas novas vagas (1,1 milhão), mas estas pouco contribuíram para diminuir significativamente a taxa de desemprego.

O gráfico abaixo, com o histórico trimestral – Janeiro/Março – de 2014 a 2019, mostra a evolução dos números de: população acima de 14 anos, força de trabalho, pessoas ocupadas e pessoas desocupadas em milhões.

Os desocupados no Brasil no trimestre Janeiro/Março 2019 foram estimados em 13,4 milhões de pessoas pelo IBGE.

É válido entender, por outro lado, o perfil das pessoas ocupadas em nosso país neste mesmo período. O IBGE estima que 91,9 milhões de brasileiros ocupados estão distribuídos em: a) pessoas atuando no setor privado com carteira assinada, sem carteira assinada, trabalhadores do setor público, outro tanto são os empregadores e por fim aqueles que trabalham por conta própria.

A tabela abaixo mostra acentuada queda no contingente trabalhando com carteira assinada -diminuição de 3,3 milhões em 2019 versus 2014- enquanto os que atuam por conta própria cresceram de 20,8 milhões para 23,7 milhões. Já os empregadores são agora 4,4 milhões e em 2014 somavam 3,7 milhões.

Aqui cabe outro comentário: enquanto o setor privado fez a lição de casa diminuindo o contingente empregado devido à queda no nível de negócios (encolhimento do PIB), o setor público nem se mexeu!!! As pessoas enquadradas no setor público somavam 11,1 milhões em 2014 e em 2019 eram estimadas em 11,4 milhões. Não é por outra razão que se observa incapacidade dos governos municipais, estaduais e o federal de investir devido ao comprometimento do orçamento com o funcionalismo.

Merece destaque o aumento de pessoas trabalhando por conta própria e/ou empreendendo – somam mais de 28 milhões em 2019 e em 2014 eram 24,5 milhões. Provavelmente este fenômeno tem relação com a dificuldade de obter emprego no setor privado.

Só para ilustrar esta evolução o número de MEI’s (Micro Empresário Individual) no final de 2013 era de 3,6 milhões passando para 7,7 milhões em dezembro/2018, ou seja, crescimento de 113,9%.

Outro dado relevante: segundo a ABF – Associação Brasileira de Franchising – o número de unidades franqueadas em 2013 atingia 114.300 enquanto ao final de 2018 estas eram 153.700 (aumento de 34,5% em cinco anos). Muita gente empreendeu via franquia neste período de tempo, certo?

Na verdade não só o tema da geração de emprego ficou crítico em nosso país, mas também aquele vinculado à renda, afinal o deslocamento pessoas ocupadas do setor privado para empreendimento individual ou trabalho por conta própria, no geral, afeta a renda do brasileiro.

Agora vejamos o perfil, por setor, desta população ocupada e a evolução nos trimestres de Janeiro/Março de 2014 a 2019:

Interessante observar que tanto na indústria (queda de 9,8%) como na construção civil (-18,5%) o nível de pessoas ocupadas guarda relação com o encolhimento da produção (PIB) destes setores. Por outro lado o agronegócio que apresentou evolução positiva de produção, no período diminuiu o número de pessoas ocupadas na atividade. Isto leva a crer que houve ganho expressivo de produtividade. Faz sentido, não é?

Para concluir os dados do PNAD do IBGE, quanto às pessoas desocupadas, mostram que por região geográfica embora todas tenham sofrido com a crise econômica, que inibiu aumento de vagas em proporção da elevação do contingente da força de trabalho, foi a região Sudeste a mais afetada.

Na região Sudeste (SP´+RJ+MG+ES) o número de pessoas desocupadas passou de 3 milhões em 2014 para 6,3 milhões no trimestre Janeiro/Março 2019 – mais que dobrou! – . Tal evolução negativa na região pode ser justificada por ser a mais industrializada do país e onde também se concentra boa parte dos investimentos em construção civil, dois dos setores da economia que mais regrediram na produção (PIB).

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